- Pesquisadores do MIT desenvolveram uma gel oral que adere à mucosa do esôfago para entregar medicamentos localmente e reduzir efeitos colaterais.
- A fórmula usa um hidrogel à base de polissacarídeo associado a sais biliares — quenodesoxicolato de sódio e colato de sódio — para aumentar a permeabilidade do tecido esofágico.
- Em testes com animais, a combinação permitiu administrar infliximabe no esôfago, com potencial de reduzir a necessidade de tratamento sistêmico.
- A pesquisa, publicada em Nature Biomedical Engineering, mostrou que o afrouxamento temporário das junções celulares ocorreu por cerca de três dias.
- Os pesquisadores buscam avançar para testes em humanos e adaptar a plataforma para outras drogas, buscando adesão estável sem desconforto.
O MIT apresentou uma plataforma de entrega de fármacos diretamente ao esôfago por meio de um gel oral. A técnica visa ampliar a absorção local, reduzindo a necessidade de tratamentos sistêmicos e, potencialmente, diminuir efeitos colaterais. Os resultados foram divulgados em 12 de junho, na Nature Biomedical Engineering.
A pesquisa foca no infliximabe, imunossupressor utilizado em doenças autoimunes como a doença de Crohn. O objetivo é administrar o medicamento diretamente no tecido esofágico, evitando a via intravenosa ou intramuscular, com menos impactos ao organismo. A abordagem pode beneficiar pacientes com doenças do esôfago, mercado com poucos métodos de entrega eficientes.
Em experimentos, pesquisadores do MIT desenvolveram um gel derivado de polissacarídeo que adere à mucosa esofágica por tempo controlado. A formulação inclui sais biliares, que facilitam a passagem de moléculas maiores pelo tecido. Estudos em animais indicaram que a barreira epitelial permanece estável, com retorno às condições normais em cerca de três dias.
O gel é acompanhado por um sistema de triagem que simulou o tecido esofágico, acelerando a identificação de moléculas que aumentam a permeabilidade. A dupla combinação mais eficaz foi o quenodesoxicolato de sódio e o colato de sódio, que juntos ampliam a transferência do medicamento ao mucoso.
Segundo a equipe, a adesão temporária do gel ao esôfago e a liberação gradual do fármaco são pontos-chave para reduzir efeitos colaterais associados ao infliximabe. Os pesquisadores afirmam que a plataforma pode emergir como opção viável para outras drogas administradas localmente no esôfago.
Próximos passos envolvem a adaptação da formulação para testes em humanos e a avaliação de aplicações em outras moléculas terapêuticas. A meta é manter o gel aderido pelo tempo necessário para a liberação, sem causar desconforto ao paciente, abrindo caminho para novas opções de tratamento.
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