- Estudo publicado na revista Science estima que redes subterrâneas de fungos micorrízicos arbusculares totalizam cerca de 110 quatrilhões de quilômetros de extensão, formando um “sistema circulatório” do planeta.
- Para chegar a esse valor, os pesquisadores reuniram dados de mais de dezesseis mil amostras de solo e usaram modelos de machine learning, calibrados com imagens de mais de trezentas mil hifas vivas.
- Cerca de setenta por cento das espécies de plantas mantêm essa parceria, que pode ampliar até cem vezes a área de absorção de nutrientes e fornecer mais de oitenta por cento do fósforo necessário.
- A massa dessas redes corresponde a aproximadamente trêscentos megatons de carbono, entre quatro e seis vezes a massa de todos os humanos vivos.
- Pradarias — ecossistemas dominados por gramíneas — concentram cerca de quarenta por cento da biomassa mundial de fungos, mas sofrem pressão de conversion para agricultura, com redução significativa da densidade das redes.
O que acontece: estudo publicado na revista Science revela o primeiro mapa global das redes subterrâneas de fungos micorrízicos arbusculares, que ligam fungos às raízes das plantas. A estimativa é de cerca de 110 quatrilhões de quilômetros de extensão.
Quem está envolvido: a pesquisa foi realizada por uma equipe internacional, com Justin Stewart como autor principal e Corentin Bisot entre os coautores. A organização SPUN participou, junto com o instituto AMOLF, entre outros parceiros.
Quando e onde: os dados foram reunidos a partir de mais de 16 mil amostras de solo coletadas em diversos biomas ao redor do mundo. O estudo utiliza machine learning para estimar distribuição e massa dessas redes.
Mapeamento
O estudo combina amostras globais e modelos de inteligência artificial para estimar a presença das redes em regiões ainda não analisadas. A calibração contou com imagens de mais de 300 mil hifas vivas em laboratório.
O que foi medido
Além da extensão, as redes representam massa de carbono equivalente a cerca de 300 megatons. Trata-se de uma estimativa de grande escala sobre o papel dessas fungos no armazenamento de carbono.
Importância para ecossistemas
Especialistas apontam que 70% das plantas mantêm parceria com fungos. Essas redes atuam como um sistema circulatório que facilita a água e nutrientes ao solo, fortalecendo a produtividade vegetal.
Principais áreas de foco
Pradarias e campos naturais surgem como regiões-chave para esses fungos, respondendo por cerca de 40% da biomassa global. As pradarias vêm sendo degradadas pela agricultura, o que preocupa os pesquisadores.
Desafios para a agricultura
Práticas agrícolas intensivas reduzem a densidade dessas redes, com médias até 47% em áreas cultivadas. A aração, fertilizantes e fungicidas podem dificultar a troca entre plantas e fungos.
Perspectivas futuras
Os autores ressaltam que não se trata de abandonar a agricultura moderna, mas entender melhor como técnicas agrícolas influenciam as redes. O objetivo é produzir alimentos mantendo e respeitando os fungos.
Implicações climáticas
Fungos micorrízicos ajudam a armazenar carbono, reciclar nutrientes e reduzir o escoamento de nitrogênio e fósforo para rios. A perda dessas redes pode alterar fluxos de matéria no ambiente.
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