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Redes subterrâneas de fungos atingem mais de 100 quatrilhões de km de extensão

Mapa global mostra redes de fungos micorrízicos arbusculares com cerca de 110 quatrilhões de quilômetros de extensão, atuando como sistema circulatório do planeta e armazenando carbono

Mapa-múndi com áreas terrestres coloridas em tons de azul e amarelo, indicando diferentes níveis de vegetação. Áreas cinzas representam gelo ou desertos, e o fundo é preto. O amarelo concentra-se em regiões tropicais e subtropicais, como Amazônia, África Central e Sudeste Asiático, enquanto o azul predomina em latitudes mais altas, como Canadá e Rússia
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  • Estudo publicado na revista Science estima que redes subterrâneas de fungos micorrízicos arbusculares totalizam cerca de 110 quatrilhões de quilômetros de extensão, formando um “sistema circulatório” do planeta.
  • Para chegar a esse valor, os pesquisadores reuniram dados de mais de dezesseis mil amostras de solo e usaram modelos de machine learning, calibrados com imagens de mais de trezentas mil hifas vivas.
  • Cerca de setenta por cento das espécies de plantas mantêm essa parceria, que pode ampliar até cem vezes a área de absorção de nutrientes e fornecer mais de oitenta por cento do fósforo necessário.
  • A massa dessas redes corresponde a aproximadamente trêscentos megatons de carbono, entre quatro e seis vezes a massa de todos os humanos vivos.
  • Pradarias — ecossistemas dominados por gramíneas — concentram cerca de quarenta por cento da biomassa mundial de fungos, mas sofrem pressão de conversion para agricultura, com redução significativa da densidade das redes.

O que acontece: estudo publicado na revista Science revela o primeiro mapa global das redes subterrâneas de fungos micorrízicos arbusculares, que ligam fungos às raízes das plantas. A estimativa é de cerca de 110 quatrilhões de quilômetros de extensão.

Quem está envolvido: a pesquisa foi realizada por uma equipe internacional, com Justin Stewart como autor principal e Corentin Bisot entre os coautores. A organização SPUN participou, junto com o instituto AMOLF, entre outros parceiros.

Quando e onde: os dados foram reunidos a partir de mais de 16 mil amostras de solo coletadas em diversos biomas ao redor do mundo. O estudo utiliza machine learning para estimar distribuição e massa dessas redes.

Mapeamento

O estudo combina amostras globais e modelos de inteligência artificial para estimar a presença das redes em regiões ainda não analisadas. A calibração contou com imagens de mais de 300 mil hifas vivas em laboratório.

O que foi medido

Além da extensão, as redes representam massa de carbono equivalente a cerca de 300 megatons. Trata-se de uma estimativa de grande escala sobre o papel dessas fungos no armazenamento de carbono.

Importância para ecossistemas

Especialistas apontam que 70% das plantas mantêm parceria com fungos. Essas redes atuam como um sistema circulatório que facilita a água e nutrientes ao solo, fortalecendo a produtividade vegetal.

Principais áreas de foco

Pradarias e campos naturais surgem como regiões-chave para esses fungos, respondendo por cerca de 40% da biomassa global. As pradarias vêm sendo degradadas pela agricultura, o que preocupa os pesquisadores.

Desafios para a agricultura

Práticas agrícolas intensivas reduzem a densidade dessas redes, com médias até 47% em áreas cultivadas. A aração, fertilizantes e fungicidas podem dificultar a troca entre plantas e fungos.

Perspectivas futuras

Os autores ressaltam que não se trata de abandonar a agricultura moderna, mas entender melhor como técnicas agrícolas influenciam as redes. O objetivo é produzir alimentos mantendo e respeitando os fungos.

Implicações climáticas

Fungos micorrízicos ajudam a armazenar carbono, reciclar nutrientes e reduzir o escoamento de nitrogênio e fósforo para rios. A perda dessas redes pode alterar fluxos de matéria no ambiente.

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