- A Endocrine Society Endo 2026 divulgou que agonistas de GLP-1 não prejudicam a fertilidade masculina mesmo com uso prolongado.
- Pesquisas do Reino Unido sugerem que esses fármacos podem melhorar hormônios, qualidade do esperma e saúde metabólica em homens com obesidade e baixa testosterona.
- Em estudo de 24 semanas com semaglutida, houve melhoras na morfologia dos espermatozoides e no colesterol; com liraglutida, em 16 semanas, houve aumento da testosterona, com resultados superiores à reposição hormonal isolada.
- Especialistas destacam que o tratamento atua na causa subjacente — excesso de peso e saúde metabólica — e pode restaurar a fertilidade naturalmente, embora haja cautela quanto aos efeitos a longo prazo.
- Em estudo separado, a tirzepatida, que atua em GLP-1 e GIP, aumentou a atividade e o volume do tecido adiposo marrom em mulheres obesas, sugerindo ganho de gasto energético.
O que aconteceu: pesquisadores apresentaram evidências de que medicamentos agonistas de GLP-1 podem melhorar a fertilidade em homens com obesidade e baixa testosterona, além de tratar efeitos do sobrepeso. A divulgação ocorreu durante o congresso Endo 2026 nos EUA.
Quem está envolvido: estudo conduzido por cientistas dos hospitais universitários de Coventry e Warwickshire e da Faculdade de Medicina de Warwick, no Reino Unido. A equipe analisou ensaios clínicos envolvendo homens de 18 a 65 anos.
Quando e onde: as informações foram anunciadas ontem durante o Endo 2026, congresso anual da Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos, realizado nos Estados Unidos.
Por quê: a ideia é tratar a causa subjacente da baixa testosterona associada à obesidade, em vez de recorrer apenas à reposição hormonal, visando.restaurar os níveis hormonais e preservar a fertilidade, através de melhora metabólica.
Resultados principais: estudos mostraram que GLP-1 não reduzem a fertilidade após uso prolongado e podem trazer benefícios hormonais e na qualidade do esperma. Em 24 semanas com semaglutida, houve melhoras na morfologia dos espermatozoides e no colesterol, mantendo hormônios estáveis.
Mais dados relevantes: em 16 semanas, liraglutida elevou a testosterona em homens obesos com deficiência hormonal relacionada ao peso. A saúde metabólica geral também melhorou, superando apenas a reposição hormonal isolada.
Causas e perspectivas clínicas
A endocrinologista Pratibha Natesh afirma que a pesquisa propõe um paradigma: tratar a obesidade e a saúde metabólica para restaurar a função hormonal, em vez de prescrever apenas testosterona. Esses resultados geram possibilidades para casais que buscam gravidez.
Impactos na prática clínica
Dhianah Santini ressalta que não há evidência de que GLP-1, usados por longo prazo, prejudiquem a fertilidade masculina. Ao contrário, há dados apontando melhoria na fertilidade feminina associada à perda de peso, o que reforça o papel terapêutico da redução de obesidade.
Modificações no gasto energético
Estudos com tirzepatida mostram que o medicamento, além de reduzir peso, aumenta a atividade do tecido adiposo marrom, elevando o gasto energético. Em 24 semanas, a atividade aumentou de 41,2% para 64,7% entre as participantes, sem mudanças no grupo placebo.
Implicações da gordura marrom
A pesquisa indica que a tirzepatida pode favorecer a conversão de gordura branca em tecidos mais metabolicamente ativos, abrindo caminho para terapias que combinem regulação do apetite com ativação termogênica. Futuras avaliações devem ampliar esse conhecimento.
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