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Transplante renal pareado amplia opção com doador sem compatibilidade

Transplante renal pareado entre SP e Juiz de Fora amplia opções para pacientes com doadores incompatíveis, dependente de regulamentação no Brasil

Equipe médica se prepara para início da cirurgia de captação de órgãos em hospital Duque de Caxias, na Baixada Fluminense
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  • Pela primeira vez no Brasil, transplante renal com doação pareada foi realizado entre dois centros diferentes (Hospital das Clínicas da USP e Santa Casa de Juiz de Fora).
  • O procedimento, em maio, envolveu dois doadores viajando entre São Paulo e Juiz de Fora para realizar as trocas simultâneas.
  • O protocolo foi aprovado pela Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa; ambos os pacientes passam bem.
  • A prática ainda não é regulamentada no país e ocorre no âmbito de pesquisa, com o objetivo de aumentar o número de pares compatíveis por meio de uma plataforma internacional.
  • Especialistas destacam que ampliar a participação de centros pode reduzir a fila de espera por rim e beneficiar mais pacientes com doadores incompatíveis.

Pela primeira vez no Brasil, dois centros transplantadores de cidades distintas realizaram um transplante renal com doação pareada. A operação ocorreu em maio, envolvendo o Hospital das Clínicas da USP e a Santa Casa de Juiz de Fora, sob protocolo de pesquisa aprovado pela comissão de ética.

O procedimento permitiu a troca de doadores vivos incompatíveis por receptores alternativos. Um doador de São Paulo viajou para Juiz de Fora para doar ao receptor mineiro, enquanto o doador mineiro realizou a doação no Hospital das Clínicas, em São Paulo. As cirurgias foram feitas de forma simultânea para ampliar a segurança.

Este é o primeiro caso envolvendo dois centros diferentes no país. Em 2020 já havia ocorrido um transplante pareado no HC, mas dentro da mesma instituição. A nova troca entre hospitais amplia a possibilidade de ampliar o número de transplantes vivos.

Como funciona a troca pareada

O sistema utiliza uma plataforma internacional que identifica combinações compatíveis entre pares de doadores vivos e receptores. A ferramenta cruza informações imunológicas, tamanho corporal e qualidade do rim do doador para indicar as melhores opções de acordo com a compatibilidade.

Ainda sem regulamentação nacional específica, o transplante pareado segue como pesquisa. A prática é vista como segura por especialistas, desde que haja aprovação ética e supervisão adequada. Segundo o diretor do Serviço de Transplante Renal, a troca não envolve comércio de órgãos.

A expectativa dos especialistas é ampliar o número de centros participantes para aumentar as combinações possíveis. Se mais instituições entrarem na base de dados, mais receptores poderão deixar a lista de espera por um rim. Atualmente, cerca de 45 mil pessoas aguardam transplante renal no Brasil. No ano passado, o país realizou 6.697 cirurgias de órgãos, um recorde com crescimento de quase 6% em relação a 2024.

Ambos pacientes acompanhados passam bem. O receptor paulista recebeu alta no quinto dia após a cirurgia, e o transplantado em Juiz de Fora teve alta após sete dias. A evolução clínica positiva sinaliza potencial para a continuidade da prática.

Os especialistas ressaltam que a principal barreira não é tecnológica, mas regulatória e logística. A implementação em larga escala depende de regulamentação que apóie a integração entre diferentes centros e a utilização de plataformas de pareamento para ampliar as oportunidades de transplante.

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