- A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA confirmou a formação do El Niño na última semana, com expectativa de intensificação e até 2027, segundo a NOAA.
- O padrão climático tende a trazer seca ou chuvas excessivas em diferentes regiões, provocando impactos na produção de cacau, café e açúcar.
- Cacau sofreu com variações climáticas históricas; no passado recente, África Ocidental enfrentou condições extremas que afetaram a produção e elevou os preços.
- Café: o robusta é mais sensível a altas temperaturas e chuvas reduzidas em Vietnã e Indonésia, enquanto o arábica, principalmente no Brasil, tende a sofrer mais no longo prazo.
- Açúcar: chuvas em excesso no Brasil podem afetar a safra, enquanto Índia e Tailândia costumam ter menos chuvas durante as monções, impactando a oferta global.
O El Niño, fenômeno que aquece a superfície do Pacífico e altera o clima global, voltou a ganhar força. Sua duração costuma ficar entre 9 e 12 meses, com impactos concentrados em regiões tropicais e temperados. A NOAA confirmou a formação oficial na última semana.
O padrão climático aponta para intensificação nos próximos meses, com probabilidade de 63% de um El Niño muito forte ou super El Niño até 2027. Secas, calor e chuvas intensas devem acompanhar o fenômeno, variando conforme a região.
A seca, o calor e as chuvas excessivas elevam os custos dos produtores de commodities agrícolas, que já enfrentam dificuldades com preços de fertilizantes e diesel provocados pela guerra no Oriente Médio.
CACAU
Todos os episódios fortes de El Niño, nos últimos 55 anos, reduziram a produção de cacau, segundo a WisdomTree. A África Ocidental, principal região produtora, enfrentou variações de pluviosidade que favoreceram doenças fúngicas.
Entre 2023 e 2024, o El Niño foi moderado a forte e afetou a África Ocidental, aumentando riscos para as lavouras. Em 2024, calor intenso e ventos Harmattan secaram flores e agravaram os impactos.
Cerca de metade do cacau mundial é cultivada na Costa do Marfim e em Gana. O Equador aparece como o terceiro maior produtor, com maior registro de chuvas durante episódios de El Niño.
Os preços do cacau quase triplicaram em 2024, com marcas acima de US$ 12.000 por tonelada, atingindo patamar recorde após falhas de safra na região.
CAFÉ
O El Niño costuma prejudicar o café robusta (conilon) ao elevar temperaturas e reduzir chuvas em Vietnã e Indonésia, responsáveis por cerca de metade da produção global dessa variedade.
A produção nesses dois países é crucial para o desenvolvimento da cultura, especialmente na fase de maturação das plantas. Analistas estimam queda de produtividade sob esse regime climático.
Para o café arábica, com importante participação brasileira, o impacto é menos intenso. Ainda assim, o El Niño pode favorecer a safra atual no curto prazo, mas tende a trazer seca no fim do ano.
No Brasil, o clima pode evitar geadas em curto prazo, mas a seca prevista para o quarto trimestre ameaça a produção de 2027, segundo especialistas do setor.
AÇÚCAR
No setor de açúcar, o El Niño costuma aumentar as chuvas na segunda metade do ano, o que pode comprometer a qualidade da produção no Brasil, principal produtor mundial. Índia e Tailândia costumam ter menos chuva durante as monções.
A Índia aguarda monções de 2026 com menor volume de chuvas, estimado em 11 anos. A agência prevê chuvas de cerca de 90% da média no período de desenvolvimento da safra, entre junho e setembro.
Especialistas apontam que um El Niño moderado pode reduzir a produção indiana em aproximadamente 1 milhão de toneladas. No Brasil, chuvas acima da média podem favorecer a próxima safra.
No longo prazo, a maior incidência de chuvas nas regiões canavieiras brasileiras pode apoiar a safra de 2027, mas o cenário geral de mercado para o açúcar permanece desfavorável diante do El Niño.
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