- Despertar entre duas e quatro da manhã é comum na perimenopausa, causado por alterações hormonais que afetam temperatura, melatonina e cortisol.
- A queda de estradiol aumenta o hormônio folículo estimulante (FSH) e altera o centro de termorregulação no hipotálamo, levando a ondas de calor e despertares noturnos.
- A redução de estrogênio também afeta a produção de melatonina e os mecanismos cerebrais do sono, com elevação do cortisol nas primeiras horas da manhã.
- Tratamentos disponíveis incluem terapia hormonal (quando não há contraindicações) e opções não hormonais, como o medicamento fezolinetant, que aguarda aprovação pela Anvisa.
- Dicas para melhorar o sono: atividade física regular, reduzir luz à noite, jantar mais cedo e refeições leves, incluir alimentos que favoreçam serotonina e melatonina, e moderar o álcool.
O que acontece com as mulheres na menopausa costuma incluir despertares noturnos repetidos, especialmente entre 2h e 4h da manhã. Despertar, olhar o relógio e ver 3 da manhã pode ocorrer com frequência, seguido de dificuldade para voltar a dormir e sensação de calor ou inquietação. Cientistas apontam como explicação principal as mudanças hormonais do climatério.
A endocrinologista Vânia Assaly explica que o fenômeno envolve uma transição neuroendócrina. A queda de estradiol aumenta o FSH, alterando o centro de termorregulação no hipotálamo. Pequenas variações de temperatura passam a disparar ondas de calor que acordam durante a madrugada.
O que ocorre no cérebro e no corpo
A queda de estrogênio também reduz a produção de melatonina, reguladora do sono. A transição menopausal ainda modifica neurônios e mecanismos que controlam o sono, contribuindo para despertares precoces. O cortisol tende a subir nas primeiras horas da manhã, intensificando o estado de alerta.
Essa combinação gera um ciclo comum entre mulheres na perimenopausa: acordar, não conseguir voltar a dormir com facilidade e acordar já cansadas para enfrentar o dia. A situação pode impactar memória, concentração e humor.
Maneiras de aliviar o desconforto
O texto aponta opções para melhorar a qualidade do sono. A terapia hormonal é citada como uma das estratégias mais eficazes para reduzir sintomas, incluindo despertares noturnos, desde que não haja contraindicações. Existe também um medicamento não hormonal em avaliação pela Anvisa, o fezolinetant, ainda sem aprovação no Brasil.
Práticas de estilo de vida podem ajudar: atividade física regular; reduzir exposição à luz artificial à noite; jantar mais cedo, até por volta das 19h; escolhas de refeições leves no jantar, com carboidratos de qualidade; incluir alimentos que favorecem serotonina e melatonina. O consumo de álcool deve ser moderado, pois pode atrapalhar o sono.
A orientação é não aceitar a insônia como normal da idade e buscar orientação médica para ajustar tratamentos ou hábitos. O objetivo é melhorar a qualidade do sono e, por consequência, a saúde física, mental e cognitiva.
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