- Telepatia, startup de saúde apoiada pela Andreessen Horowitz, pretende levar seu assistente clínico de IA a metade dos 1,9 milhão de médicos da LatAm até o fim de 2027.
- Criada na Colômbia em 2025 e hoje sediada em São Paulo, a empresa já atua em Brasil, Colômbia, México, Chile e Argentina, atingindo mais de 14 milhões de pacientes.
- O assistente de IA transcreve consultas, revisa prontuários, identifica possíveis erros e faz sugestões em tempo real com base na literatura médica e diretrizes clínicas.
- A Telepatia levantou 33 milhões de dólares em rodada Série A, elevando o total captado para 42 milhões; investidores incluem Andreessen Horowitz, Shyam Sankar, Simón Borrero e David Vélez.
- Reguladores latino-americanos discutem regras para IA na saúde; Brasil avançou com marco regulatório por níveis de risco e a Colômbia também propõe classificações de risco para sistemas de IA.
A Telepatia, startup de saúde apoiada pela Andreessen Horowitz, quer levar seu assistente clínico com IA para metade dos médicos da América Latina até 2027. A empresa, criada na Colômbia em 2025 e hoje sediada em São Paulo, pretende ampliar a produtividade de profissionais de saúde frente à demanda elevada e à escassez de médicos.
O assistente transcreve consultas, revisa prontuários, aponta erros potenciais e sugere ações com base em literatura médica e diretrizes. A meta é apoiar médicos na linha de frente da atenção primária, fortalecendo decisões clínicas com apoio tecnológico.
A startup levou US$ 33 milhões em uma rodada Série A, em abril, somando US$ 42 milhões captados desde sua criação. Entre os investidores estão Andreessen Horowitz, Shyam Sankar, Simón Borrero e David Vélez.
A Andreessen Horowitz considera a Telepatia um dos seus maiores investimentos em IA na saúde fora dos EUA, destacando o ritmo de crescimento da empresa. A gestora aponta potencial de transformação do setor pela IA.
O fundador e CEO Nicolas Abad afirma que a ideia nasceu da experiência com a morte de seu pai, vítima de erro médico evitável. A partir disso, a Telepatia utiliza IA para reduzir erros e agilizar o atendimento.
Para Abad, a América Latina representa um mercado natural, com dependência de médicos de atenção primária e enfermeiros, principalmente fora dos grandes centros. O acesso a especialistas é limitado na região.
Dados locais refletem defasagens: Brasil e Colômbia possuem entre 2,4 e 2,5 médicos por mil habitantes, abaixo da média da OCDE, de 3,4. A Colômbia conta com 1,5 enfermeiro por mil, muito aquém da média OCDE de 9,5.
A Telepatia aponta que grande parte do tempo dos profissionais é consumida por tarefas administrativas e navegação em sistemas fragmentados. A IA é apresentada como forma de ampliar a capacidade da força de trabalho clínica.
No Brasil, a empresa atende grupos listados em bolsa, como Hospital Mater Dei, Kora Saúde e Hapvida. Na Colômbia, clientes incluem Fundación Santa Fe de Bogotá, Comfama e Colsubsidio, além de órgãos públicos.
No Hospital Mater Dei, a solução reduz o tempo gasto na busca de informações em prontuários, além de melhorar a organização de dados clínicos e a priorização de exames. Médicos relatam ganho diário de tempo.
A Telepatia também atua na MiRed Barranquilla, na rede pública de saúde, para identificar diretrizes não seguidas, exames desnecessários e procedimentos inadequados, segundo o médico Fredy Bojanini.
A empresa afirma que a ferramenta gera registros mais claros para auditorias e para contestações de pacientes, oferecendo respaldo técnico aos médicos. Em média, os médicos utilizam o sistema por cerca de oito horas diárias.
Regulação
A regulação de IA em saúde na América Latina ainda está em construção, o que pode favorecer a expansão de soluções como a Telepatia, mas também trazer riscos regulatórios futuros. O Brasil avalia um marco regulatório baseado em níveis de risco, em aprovação pela Câmara e sanção presidencial. A Colômbia também propõe classificações de risco para IA com supervisão adicional.
Especialistas apontam que regras mais claras podem estimular adoção hospitalar, ainda que elevem custos de conformidade. Há preocupação com sistemas de triagem que tomam decisões médicas sem licença profissional direta.
Segundo a empresa, a Telepatia atua apenas como apoio aos clínicos, que mantêm a decisão final e a assinatura do prontuário. A implantação busca ampliar o alcance da IA na saúde sem transferir autonomia clínica.
A Telepatia planeja expandir primeiro na América Latina, antes de mirar mercados emergentes como Índia, África e Sudeste Asiático. Abad afirma que o produto poderia ter salvado a vida de seu pai.
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