- Especialistas afirmam que a geoengenharia solar não “compra tempo” para descarbonização e pode causar um “choque de terminação” se for interrompida.
- Propostas envolvem injeção de aerossóis e infraestrutura que levaria décadas para ficar pronta, exigindo manutenção contínua por séculos; impactos e riscos permanecem incertos.
- Modelos climáticos atuais não fornecem garantias sobre resultados nem sobre impactos regionais, e não há comparação formal entre cenários de geoengenharia.
- Falta governança adequada: financiamento privado e projetos de startups visam lucro, sem obrigações claras de transparência ou avaliação de impactos climáticos.
- Os signatários, especialistas em ciência climática com histórico no IPCC e em academias, defendem cautela extrema e maior foco na compreensão científica antes de avanços tecnológicos.
Do que se trata o debate sobre geoengenharia e seus riscos planetários? Um grupo de pesquisadores reforça que propostas para reduzir radiação solar ou manipular o clima não são soluções simples. A ideia de “trocar o carbono por tecnologias de curto prazo” é contestada com cautela.
Os autores lembram que o CO2 permanece na atmosfera por séculos e que qualquer intervenção climática exigiria manutenção contínua por séculos ou milênios. Eles destacam o perigo de uma suspensão repentina dessas técnicas, que poderia provocar um choque de aquecimento repentino.
Apenas modelos climáticos mostram possibilidades, não garantem resultados. Estudos até o momento não concordam sobre o nível de intervenção necessário nem sobre impactos regionais, aumentando a incerteza e o risco de consequências não previstas.
A carta conjunta critica o foco em financiamento para desenvolvimento tecnológico, com pouca governança. Os signatários destacam a ausência de um arcabouço regulatório robusto para intervenções na atmosfera ou no ecossistema, e defendem cautela científica.
Riscos, incertezas e governança
Os autores enfatizam que experiências em menor escala não respondem às perguntas centrais sobre magnitude e efeitos. A eventual implantação exigiria avaliações rigorosas, com participação ampla de comunidades afetadas, governos e cientistas independentes.
A mensagem aponta que grandes iniciativas já contam com financiamentos significativos, inclusive de órgãos públicos, e chegam a parcerias com empresas privadas. A ausência de regras claras aumenta o risco de uso indevido com fins comerciais.
Quem assina o alerta
O texto é assinado por quatro especialistas renomados em ciência climática: Raymond Pierrehumbert, Michael E Mann, Julia Slingo e Valerie Masson-Delmotte. Eles atuam, respectivamente, em instituições como Oxford, Universidade da Pensilvânia e laboratórios de ciência climática.
Como ponto central, o grupo afirma que a prioridade continua ser reduzir emissões de carbono de forma direta. Reforça que investimentos devem buscar a compreensão científica, ética e governança antes de qualquer teste de geoengenharia.
Entre na conversa da comunidade