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Esforços de conservação de famílias deslocadas para parque nacional na RDC

Descendentes expulsos para a criação do Maiko National Park conduzem concessão florestal comunitária, com queda de desmatamento de 940 ha em 2024 para 120 ha em 2025

Aerial view of forest and river in North Kivu, Democratic Republic of Congo. Image by MONUSCO/Myriam Asmani via Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0).
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  • Descendentes de famílias deslocadas durante a criação do Maiko National Park, na região leste da República Democrática do Congo, lideram hoje iniciativas de conservação comunitária.
  • Gangala Yafali Mangusa Jr. está à frente da Bamasobha Local Community Forest Concession, com cerca de 29 mil hectares, coordenando patrulhas contra caça, desmatamento e mineração ilegais.
  • Em 2023, as comunidades de Bamasobha desenvolveram um plano de manejo com apoio da PREPPYG, criando zonas distintas de produção e conservação para equilibrar biodiversidade e necessidades humanas.
  • O uso de satélite aponta queda do desmatamento na concessão: de 940 hectares em 2024 para 120 hectares em 2025.
  • Mesmo com desafios como insegurança e deslocamentos, especialistas veem as CFCLs como modelo viável de conservação para comunidades indígenas na região.

Descentes de famílias removidas durante a criação do Maiko National Park, no leste da República Democrática do Congo, lideram hoje uma onda de conservação apoiada pela comunidade. O grupo atua em planos de manejo de florestas que envolvem moradores locais e visam compatibilizar proteção da biodiversidade e necessidades humanas.

Mangusa Jr., líder da CFCL Bamasobha Local Community Forest Concession, com cerca de 29 mil hectares, supervisiona patrulhas para coibir caça, desmatamento e mineração ilegais. A equipe também busca fortalecer a convivência entre comunidades e a floresta, promovendo uso sustentável dos recursos naturais.

Contexto histórico e mudança de modelo

Mangusa Jr. integra-se a uma narrativa de conflitos entre a comunidade e o Instituto Congolês de Conservação da Natureza (ICCN) após a criação do parque. Relatos apontam campamentos de guardas que restringiam entrada na floresta e uso de carne, gerando deslocamentos ao longo dos anos.

A CFCL Bamasobha surge com apoio da PREPPYG (Associação de Camponeses para a Reabilitação e Proteção de Pigmeus) e define um plano de manejo estabelecido em 2023. O objetivo é equilibrar proteção da biodiversidade com as necessidades humanas, utilizando zonas distintas de produção e conservação.

Resultados e expansão da iniciativa

Dados de Global Forest Watch indicam redução da perda de floresta na área, de 940 hectares em 2024 para 120 hectares em 2025. O modelo de concessões florestais comunitárias ganha força no leste do país, entre o Parque Nacional Kahuzi-Biega e a Reserva Itombwe.

A ONG Strong Roots Congo trabalha na criação de um corredor de biodiversidade de cerca de 1 milhão de hectares, conectando várias CFCLs da região. Especialista Olivier Ndoole Bahemuke afirma que as CFCLs podem servir de referência para comunidades indígenas desprovidas de recursos florestais após áreas protegidas.

Desafios permanecem

Insegurança na região, incluindo atuações de grupos armados, força deslocamentos adicionais e entradas não autorizadas na zona de conservação para atividades ilegais. Ainda assim, analistas destacam a relevância de CFCLs como extensão das práticas de proteção da vida silvestre herdadas.

Bahemuke ressalta que, quando as comunidades adotam esse modelo, observa-se uma continuidade de práticas de proteção ambiental que remontam aos antepassados.

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