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Radiotelescópio Bingo não serve a interesses chineses, afirma líder do projeto

Líder do Bingo rejeita relatório dos EUA e afirma que o radiotelescópio não terá uso militar; projeto brasileiro com parceria chinesa permanece aberto e com dados públicos

Radiotelescópio Bingo não serve a interesses chineses, diz um dos líderes do projeto
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  • O radiotelescópio Bingo, liderado pelo Brasil, fica em Aguiar, Paraíba, e deve começar a captar ruídos do Universo até o fim deste ano, funcionando plenamente em 2027.
  • O comandante brasileiro Carlos Alexandre Wuensche, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, rejeita a ideia de que o Bingo serve a interesses chineses, dizendo que o uso militar seria muito limitado.
  • O projeto tem orçamento total acima de R$ 35 milhões, com investimento da China estimado em R$ 300 mil; segundo Wuensche, a China trabalha em um projeto específico dentro do Brasil e não há componentes secretos.
  • O relatório norte-americano afirma que há uma rede de infraestrutura espacial de uso duplo na América Latina — incluindo estações no Brasil — que pode monitorar, controlar e potencialmente interromper operações espaciais de adversários.
  • O Ministério das Relações Exteriores disse que não existe estação terrestre Tucano prevista no Brasil; o relatório cita o projeto da Alya Space, que planeja seis estações de solo, mas nenhuma saiu do papel.

O radiotelescópio Bingo, previsto para ficar na cidade de Aguiar, no sertão da Paraíba, deve começar a captar ruídos do universo até o fim deste ano e operar plenamente em 2027. O projeto é liderado por pesquisadores brasileiros, com participação de técnicos chineses, e envolve investimentos de cerca de R$ 35 milhões no total. A China teria contribuído com aproximadamente R$ 300 mil.

Uma visão internacional recente sustenta que o Bingo pode integrar uma rede de uso duplo na América Latina. Segundo o relatório norte-americano divulgado recentemente, existem 11 instalações na região, incluindo Argentina, Venezuela, Bolívia, Chile e Brasil, conectadas entre si para vigilância e uso estratégico de infraestrutura espacial.

Para o Observatório brasileiro, o líder Carlos Alexandre Wuensche, do Inpe, afirma que não há movimento significativo do radiotelescópio para usos militares. Ele explica que o Bingo não tem capacidade de rastrear alvos espaciais com precisão militar, pois foca em uma faixa de céu restrita e em observações científicas públicas.

A parceria com a China é descrita pelo pesquisador como contratada para um projeto específico no Brasil. Segundo Wuensche, nenhum componente chinês é secreto e os dados gerados são compartilhados publicamente por meio de publicações científicas. Toda a atividade é movida por trabalhos divulgados em revistas especializadas.

Contexto do relatório americano

O documento Atraindo a América Latina para a órbita da China afirma que locais na região formam uma rede integrada de uso duplo, fortalecendo a capacidade chinesa de monitorar operações espaciais de adversários. Entre as opções citadas, aparecem instalações na Argentina, Venezuela, Bolívia, Chile e Brasil.

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