- Bolsa anunciada como feita de “couro de T. rex” foi exibida em Amsterdã ao lado de um esqueleto do dinossauro, pela marca polonesa Enfin Levé, em projeto que mistura moda, biotecnologia e paleontologia.
- A peça usa material desenvolvido a partir de fósseis da espécie encontrados nos Estados Unidos, com base em dados controversos sobre possível tecido mole preservado.
- A The Organoid Company criou uma sequência proteica artificial usando fragmentos dos fósseis e inteligência artificial para preencher lacunas, tomando proteínas de frango como referência.
- Especialistas em paleoproteômica apontam que cerca de noventa por cento da composição deriva de modelos modernos (principalmente galinhas), não de proteínas autênticas de T. rex.
- Apesar da dúvida sobre a autenticidade, o projeto é visto como avanço tecnológico na produção de couro sintético sustentável, com apoio a novas possibilidades materiais, conforme o diretor da The Organoid Company.
A bolsa anunciada como feita de “couro de T. rex” foi exibida em Amsterdã, ao lado de um esqueleto do dinossauro. A peça integra um projeto que mistura moda, biotecnologia e paleontologia, chamando atenção pelo material usado e pela origem controversa.
A solo da marca polonesa Enfin Levé, o item faz parte de uma linha que utiliza fósseis como referência para desenvolver couro cultivado em laboratório. A pesquisa teve como base fósseis da espécie encontrados nos Estados Unidos, gerando debates entre especialistas.
Pioneira na área, a equipe envolvida recorreu a dados de tecido mole e proteínas preservadas em ossos de T. rex, anunciados no início dos anos 2000 pela paleontóloga Mary Schweitzer. A interpretação desses achados divide a comunidade científica.
Para avançar, cientistas da The Organoid Company criaram uma sequência proteica artificial, preenchendo lacunas com inteligência artificial. Proteínas de frango serviram como referência para o material utilizado no couro cultivado. Dessa forma, o couro é tecnicamente sintético.
Especialistas em paleoproteômica destacam que a maior parte da composição — cerca de 90% — deriva de modelos modernos, especialmente de galinhas, e não de proteínas autênticas de T. rex. O consenso é que a bolsa não contém material do dinossauro.
Mesmo assim, o projeto é visto como um avanço tecnológico na biotecnologia aplicada à produção de couro sintético e evidencia o contínuo fascínio por dinossauros. A iniciativa busca explorar materiais sustentáveis e novas possibilidades de fabricação.
Thomas Mitchell, CEO da The Organoid Company, afirmou que as críticas ajudam o avanço científico e que o que foi alcançado representa o mais próximo possível de criar algo relacionado ao T. rex, dentro de limites éticos e tecnológicos.
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