- A musculação é associada à saúde cerebral e à preservação da autonomia, ajudando na prevenção do Alzheimer e no cuidado de quem já tem a doença.
- Resultados melhores aparecem com um conjunto de mudanças de hábito, incluindo treino de força, exercícios aeróbicos e melhoria de hábitos dia a dia.
- Em Rogério Beck, diagnosticado com Alzheimer, a prática de musculação de três a quatro vezes por semana melhorou mobilidade e funcionalidade; dias sem treino costumam trazer irritação e sono pior.
- Mecanismo biológico importante: miocinas produzidas pelo músculo durante a contração chegam ao cérebro e ajudam na formação de novas conexões neurais e na plasticidade cerebral.
- Recomendações: treinar força duas a três vezes por semana com orientação profissional, combinar com atividades aeróbicas e buscar, no mínimo, sessenta a setenta e cinco minutos de atividade moderada cinco dias por semana, mantendo a musculação integrada à rotina.
O papel da musculação na prevenção do Alzheimer e no cuidado de quem já tem a doença ganha cada vez mais evidência. Pesquisas associam a prática a mecanismos biológicos que ajudam a manter a saúde cerebral e a autonomia, especialmente quando aliada a mudanças de hábitos.
No caso de Rogério Beck, 59 anos, o diagnóstico de Alzheimer chegou há cerca de dois anos. Ele passou a incluir a musculação na rotina, treinando três a quatro vezes por semana e dividindo as sessões por grupo muscular. A mudança tem ajudado a manter a função física e, segundo ele, influencia até o humor nos dias sem treino.
A esposa dele, Karin Beck, 55, adota a estratégia oposta para prevenção. Ela pratica pilates duas vezes por semana e soma caminhadas. O casal vive em um condomínio na zona oeste de São Paulo, onde frequentam a academia local. A história ilustra o papel complementar da musculação e da atividade física voltada à saúde cerebral.
Mecanismos biológicos e impactos na doença
Neurologistas destacam que a musculação envolve o corpo e o cérebro de forma integrada. Miocinas produzidas pelo músculo podem alcançar o cérebro, estimulando novas conexões entre neurônios e favorecendo a plasticidade. Tais efeitos são considerados relevantes para a saúde cerebral.
Entre benefícios observados em pessoas com Alzheimer, especialmente com perda de massa muscular, está a melhora da mobilidade e a redução do risco de quedas. Embora ainda faltem evidências robustas de que a prática desacelere diretamente a progressão da doença, a manutenção da funcionalidade ajuda a preservar independência.
Redução de processos inflamatórios, melhor metabolismo da glicose e circulação cerebral são apontados como vias associadas ao treino de força. Em termos de cuidado, o foco costuma ser a função diária, não apenas a hipertrofia muscular.
Recomendações e diretrizes
Especialistas ressaltam que a musculação não deve ocorrer isoladamente. A prática regular, com orientação profissional, deve ocorrer duas a três vezes por semana, integrada a uma rotina que inclua exercícios aeróbicos.
Diretrizes internacionais recomendam pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, com a musculação inserida de forma constante. O objetivo é manter autonomia para atividades como levantar-se, caminhar e subir escadas.
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