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Tirzepatida: quando pode ser indicada para adolescentes

Anvisa autoriza tirzepatida para diabetes tipo 2 em adolescentes de 10 a 17 anos; uso exige avaliação médica rigorosa e acompanhamento próximo

Tirzepatida chega aos adolescentes, mas uso exige avaliação médica rigorosa; na imagem, caneta emagrecedora
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  • Em abril, a Anvisa autorizou a tirzepatida para uso exclusivo no controle do diabetes tipo 2 em pacientes de 10 a 17 anos, tornando‑a a primeira da classe liberada para crianças e adolescentes no Brasil.
  • O medicamento atua ao ativar simultaneamente receptores de GIP e GLP‑1, melhorando a glicemia e reduzindo resistência à insulina.
  • O Brasil enfrenta crescimento da obesidade entre jovens: em 2009 eram 74.972 adolescentes obesos, e em 2025 o número subiu para 986.058 (alta de 1.215%). Estimativas indicam 213 mil adolescentes com diabetes tipo 2 e 1,4 milhão com pré‑diabetes entre 12 e 17 anos.
  • Um estudo de 2025, publicado na The Lancet, com 99 adolescentes de 14,7 anos em média, mostrou melhoria significativa na glicemia e no IMC após 33 semanas, mantidas após um ano.
  • Efeitos colaterais comuns incluem sintomas gastrointestinais; há possibilidade de hipoglicemia; acompanhamento médico é essencial, e a medicação pode reduzir a eficácia de anticoncepcionais orais; existem contraindicações específicas.

A Anvisa autorizou o uso da tirzepatida para o controle do diabetes tipo 2 em pacientes entre 10 e 17 anos. O medicamento, princípio ativo do Mounjaro, passa a ser o primeiro da classe de agonistas duplos dos receptores GIP e GLP-1 liberado no Brasil para crianças e adolescentes.

A decisão ocorreu com base em estudos clínicos que avaliaram segurança e eficácia em jovens. Um deles, publicado em 2025 na Lancet, acompanhou 99 adolescentes com média de 14,7 anos, em 8 países. O grupo recebeu diferentes doses ou placebo, por 33 semanas, com melhora glicêmica e redução do IMC, mantidas ao longo de um ano.

Dados de saúde pública preocupam: a obesidade entre adolescentes cresceu no Brasil de 2009 a 2025, passando de 74.972 para 986.058 casos, alta de cerca de 1.2 mil por cento. Estimativas de 2019 apontaram 213 mil jovens com diabetes tipo 2 e 1,4 milhão com pré-diabetes.

Uso em adolescentes

A autorização da Anvisa decorre de resultados que indicam eficácia no controle glicêmico e na redução de peso entre jovens com o diabetes já estabelecido. O relatório de estudos ressalta que a medicação não é indicada para emagrecimento, conforme orientações de especialistas.

Entre os cuidados, pesquisadores destacam efeitos colaterais comuns como náuseas, vômitos, constipação e diarreia. Casos de hipoglicemia devem ser monitorados, principalmente em pacientes já em tratamento com insulina ou metformina.

Acompanhamento e restrições

A tirzepatida pode exigir exames periódicos para monitorar pâncreas e vesícula biliar, além de orientar sobre interação com métodos contraceptivos. A medicação é contraindicada para alergias à fórmula ou histórico de determinadas neoplasias endócrinas.

O tratamento precisa ser individualizado, com ajuste de dose conforme tolerabilidade e necessidade do paciente, sob supervisão médica próxima. A autor da orientação é a endocrinologista responsável pelo acompanhamento de jovens pacientes.

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