- Em dois mil e vinte e cinco, as formigas-de-fogo tropicais (Solenopsis geminata) foram erradicadas completamente da Melville Island, nas Tiwi Islands.
- A área impactada somou 1.535 hectares (3.790 acres), com localização de ninhos, uso de iscas e monitoramento contínuo para confirmar a eliminação.
- O trabalho envolveu mais de quarenta rangers Tiwi, apoiados pelo Indigenous Rangers Program, e ganhou o Prêmio Territorial de Gestão de Recursos Naturais Indígena em Darwin.
- A erradicação busca proteger aves nativas, pequenos mamíferos e ninhos de tartarugas marinhas que se concentram na região, incluindo espécies vulneráveis.
- Especialistas destacam a importância do enfoque em áreas perturbadas, do apoio da comunidade e de estratégias de longo prazo para evitar novas incursões.
Melville Island, Tiwi Islands — Em 2025, os tambores de fogo invasores conhecidos como formigas-tropeira tropicais (*Solenopsis geminata*) foram completamente erradicados da Ilha Melville, localidade do arquipélago Tiwi, próximo a Darwin, no Território do Norte, Australia. A operação envolveu a equipe de Tiwi Rangers, suporte institucional e monitoramento contínuo, com o objetivo de proteger aves nativas, tartarugas marinhas e o ecossistema local.
A erradicação, iniciada no início dos anos 2000, foi alcançada após quase duas décadas de trabalho coordenado. A área afetada alcançou 1.535 hectares (3.790 acres), um espaço considerável para uma intervenção desse tipo. A estratégia migrou de ações amplas para a identificação e tratamento de ninhos específicos, com monitoramento rigoroso ao longo de todo o processo.
Ao longo dos anos, mais de 40 rangers participaram da identificação e erradicação de focos da espécie. O esforço contou com apoio do Indigenous Rangers Program, que guia a gestão de terras por povos First Nations, incluindo a participação da Tiwi Plantations Corporation, maior empreendimento indígena agrícola da região.
Os tambores de fogo causavam impactos significativos em aves nativas, mamíferos terrestres e ninhos de tartarugas marinhas. Espécies de tartaruga que passam pela região incluem quatro espécies: oliveida, verde, lobo-marinho de casco achatado e tartaruga-vermelha, sendo algumas classificadas como vulneráveis ou ameaçadas pela IUCN.
Os métodos usados combinaram armadilhas de iscas com hydramethylnon e vigilância sistemática para evitar danos a espécies não-alvo. O delineamento foi feito com foco em áreas perturbadas, como ambientes adjacentes a comunidades e vias de circulação, minimizando impactos sobre habitats naturais mais estáveis.
Especialistas externos destacam o feito como uma das principais erradicações de formigas invasoras já registradas. A duração do projeto exigiu planos de longo prazo, cooperação comunitária extensa e acesso contínuo a propriedades privadas, com consentimento dos moradores.
Além de consolidar a erradicação, o grupo de Rangers concentra-se no combate a outras espécies invasoras, como porcos e gatos, mantendo vigilância constante para evitar novas incursões. Um oficial de biosegurança, ligado ao Tiwi Land Council, supervisiona a inspeção de cargas para prevenir introduções de invasores.
Especialistas indicam que a experiência das Tiwi pode servir de modelo para outras áreas com fragilidades de biossegurança, incluindo áreas de proteção ambiental marinha. Pesquisas em andamento visam desenvolver abordagens alternativas, como estratégias de iscas específicas, para reduzir riscos ambientais.
O reconhecimento pelo trabalho foi concedido em Darwin, com a Tiwi Indigenous Natural Resource Management Award de 2025, em celebração ao esforço conjunto entre rangers, comunidades locais e organizações públicas. A vitória foi recebida como marco histórico na gestão de recursos naturais.
O caso também reforça a necessidade de biossegurança robusta para as ilhas Tiwi, onde o tráfego de mercadorias pode introduzir novas espécies invasoras. O trabalho de monitoramento continuará para evitar retrocessos e manter as ilhas livres da formiga-tropeira tropical.
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