- A APRIL reduziu a data de corte de desmatamento para 2020 e começou a comprar madeira de PT Industrial Forest Plantation e PT Mayawana Persada, ligadas a grandes perdas florestais recentes.
- Dados do Nusantara Atlas mostram que IFP e Mayawana perderam cerca de 80 mil hectares de floresta entre 2015 e 2024, com mais de 54 mil hectares após 2020.
- O governo da Indonésia revogou licenças de quatro fornecedoras de longo prazo, impactando cerca de 15% do abastecimento de madeira da APRIL na província de Riau.
- O processo de remedy (remediação) da FSC para a APRIL permanece suspenso desde 2025, após acusações de ataque a uma comunidade indígena; a FSC afirma que está avaliando as políticas de abastecimento atualizadas.
- Grupos ambientais veem as decisões como amnistia e questionam a confiança no processo de remediação; a FSC pode tomar medidas adicionais, enquanto a APRIL sustenta que as mudanças estão alinhadas com padrões globais.
APRIL, gigante de celulose e papel, mudou recentemente seus critérios de desmatamento, abrindo a possibilidade de fornecimento de madeira por duas empresas associadas a grandes perdas florestais. A decisão ocorre após o governo da Indonésia revogar licenças de quatro fornecedores, afetando cerca de 15% do abastecimento de madeira em Riau.
A mudança permite que a empresa compre de PT Industrial Forest Plantation (IFP) e PT Mayawana Persada (Mayawana), responsáveis por vastas áreas desmatadas entre 2015 e 2024. Dados mostram perdas próximas a 80 mil hectares para as duas companhias, com grande parte ocorrendo após 2020.
Grupos ambientais criticam a medida, afirmando que flexibiliza salvaguardas contra derrubada de florestas e envia sinal de que empresas podem acessar mercados sem reparação dos danos. A ONG Earthsight e outras entidades pedem revisão rigorosa.
A FSC, certificadora que mantém diálogo com APRIL, informou que está reanalisando as políticas de fornecimento atualizadas da empresa. A organização ressaltou a necessidade de avaliar evidências antes de decisões, destacando preocupação com a análise requerida.
O processo de remediação da FSC, parte do Remedy Framework, busca reintegrar empresas que se desligaram em 2013 após denúncias de desmatamento e conflitos sociais. Em 2025, o andamento foi suspenso após alegações de ataque a comunidade indígena ligada à Toba Pulp Lestari.
Apesar da suspensão, APRIL afirma manter o compromisso com o processo e que a mudança de cutoff para 2020 está alinhada a padrões internacionais, incluindo FSC, EU Deforestation Regulation e Accountability Framework Initiative. A empresa diz que ampliar a base de fornecedores fortalece práticas de sustentabilidade na Indonésia.
Entretanto, a FSC sinalizou que a aliança com IFP e Mayawana pode complicar a reassociação. A organização lembrou que compromissos de 2015 foram decisivos para reabrir o diálogo com APRIL após a desassociação de 2013, e que relações com fornecedores responsáveis por desmatamento recente são preocupantes.
Analistas independentes divergem. Um cenário apresentado por Earthsight aponta risco de anistia e pede restauração de áreas degradadas e justiça para comunidades afetadas. Já Kim Carstensen, ex-diretor da FSC, aponta que mudanças de sourcing podem impulsionar melhorias setoriais.
O FSC afirma que o processo de remediação depende da confiança entre as partes. Grupos ambientais argumentam que a credibilidade está em jogo e pedem posição clara da instituição, inclusive pela suspensão existente do processo.
O desfecho dependerá de como APRIL reconstrói a confiança com stakeholders e de a FSC concluir se a reassociação é viável. O caso pode moldar os rumos da certificação de florestas para o grupo de APRIL e para o setor de papel na Indonésia.
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