- Em uma década do referendo, três colunistas do Guardian debatem se o Brexit deixou o Reino Unido mais rico ou mais racista e qual é o estado da relação com a União Europeia hoje.
- Discutem o dia da votação de 2016, lembrando raiva, confusão em Westminster e aumentos de hostilidade racial em alguns locais, além da ausência de um plano claro pós-Brexit.
- Apontam que o voto duro pelo Brexit foi usado para embaraçar a premiê Theresa May, com críticas a Jeremy Corbyn por não apoiar uma linha mais estável.
- Sobre o futuro com a UE, divergem entre reingressar de maneira gradual (Erasmus, regras de importação) ou manter uma saída mais permanente, com debates sobre custos e benefícios.
- Os autores dizem sentir-se vindicados pelo que escreveram na época e veem sinais de que o debate está se tornando mais técnico e menos emocional, mesmo com desafios ainda existentes.
Em comemoração de uma década desde o referendo, o Guardian reuniu três de seus colunistas para avaliar o legado do Brexit. Eles discutem se o Reino Unido ficou mais rico ou mais dividido, especialmente no que diz respeito à despesa pública, ao racismo e à relação com a União Europeia. O debate busca entender o impacto de longo prazo da saída.
O grupo relembra o clima da época, com minutos de tensão, confusão em Westminster e explosões de raiva que se transformaram em discursos de hostilidade. As memórias sugerem uma cisão marcada entre quem alegava dados e quem avançava com a narrativa de perder o controle.
Um dos interlocutores descreve a madrugada do resultado e as consequências imediatas, incluindo o abalo político que levou à renúncia de um primeiro-ministro. Relatos de regiões como o sul do País de Gales e o nordeste aparecem para ilustrar a percepção de que o voto refletiu uma frustração ampla, misturada a receios sobre migração.
O trio também traça o retrato das campanhas do lado que defendia a saída, apontando a falta de planejamento claro por parte dos líderes do Brexit. A ausência de políticas comerciais e fiscais claras alimentou críticas sobre a viabilidade de uma saída sem rumo definido.
O que mudou na relação com a UE
A conversa evolui para a avaliação de impactos mais técnicos, menos ideológicos. Alguns veem sinais de mudança, com redução de tensões raciais em certos debates públicos, e foco em comércio, intercâmbio estudantil e barreiras alfandegárias que antes dominavam o debate.
Entretanto, ainda conforme os colunistas, a percepção de que a migração mudaria drasticamente acabou se provando simplista. Pesquisas recentes indicam apoio a certas facilidades comerciais mesmo entre quem aprecia a liberdade de circulação, revelando nuances no sentimento público.
O futuro do Reino Unido em relação à Europa
A discussão volta ao futuro imediato: reingressar parcialmente na UE ou avançar com uma integração gradual, resgatando instrumentos como o programa Erasmus e simplificando regras de importação de alimentos. A necessidade de avaliações públicas e decisões transparentes é destacada.
Os comentaristas ressaltam que qualquer retorno dependeria de negociação contínua e de uma comunicação clara sobre benefícios e custos. Um tema recorrente é a importância de decisões fundamentadas em dados para orientar políticas comerciais e regulatórias.
Lições e perspectivas
Os autores afirmam ter se sentido validados por prioridades defendidas na época, como evitar erros econômicos, políticos e emocionais. O foco, porém, permanece na leitura objetiva dos efeitos do Brexit e na busca por caminhos que reduzam incertezas para empresas e pessoas.
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