- A França vive tensão no sistema elétrico por causa da onda de calor: uma usina nuclear foi interrompida na noite de segunda-feira (22) e cabos subterrâneos podem dilatar, gerando risco de curtos-circuitos.
- A usina Golfech 2 precisou desligar devido ao aumento da temperatura da água do rio Garonne, que é usada para resfriar os equipamentos.
- Estima-se que, em dias quentes, cabos subterrâneos de até 80 °C podem se dilatar e falhar, causando panes localizadas, ainda que o fornecimento geral permaneça estável.
- Autoridades do setor, como EDF, Enedis e RTE, afirmam que não é provável um apagão generalizado, mas reconhecem riscos de cortes locais.
- Em Paris, a Torre Eiffel ficará fechada a partir das 16h por causa do calor; outros impactos incluem afogamentos, redução da velocidade de trens e alerta máximo em 54 regiões.
Na França, a onda de calor intensa sobrecarregou o sistema elétrico do país neste fim de junho. Uma usina nuclear interrompeu a produção na noite de segunda-feira (22), e cabos da rede, especialmente os subterrâneos, apresentaram risco de dilatação e curtos-circuitos. A preocupação é se poderia ocorrer uma interrupção massiva da rede, similar ao ocorrido na Espanha no ano passado.
Especialistas e autoridades do setor asseguram que o cenário de apagão generalizado é improvável, em razão da participação expressiva da energia nuclear na matriz energética. Ainda assim, há possibilidade de cortes localizados e de tensões em pontos específicos da rede, principalmente em regiões com alta demanda e infraestrutura mais antiga.
Na atual fase de calor extremo, o consumo de eletricidade aumenta com o uso de ar-condicionado e ventiladores. A usina Golfech 2, no sudoeste, precisou ser desligada temporariamente devido ao aumento da temperatura da água do rio Garonne, que efetua o resfriamento. Isso evidencia como fatores climáticos podem impactar a produção nuclear.
Riscos e estado da rede
A França conta com cerca de 1,5 milhão de quilômetros de cabos, incluindo trechos subterrâneos com várias décadas de uso. Em dias de calor, cabos podem dilatar e cessar funcionamento, elevando o risco de falhas localizadas. Embora a demanda suba, a produção elétrica tem se mantido suficiente para atender aos picos de consumo.
Respostas institucionais
Principais operadores — EDF, Enedis e RTE — asseguram que a possibilidade de apagão generalizado não é prevista, devido à diversificação energética. Mesmo assim, a Enedis admite riscos de cortes pontuais em áreas mais sensíveis.
Eventos ligados à aflição climática
Nesta semana, a Torre Eiffel permanecerá fechada a partir das 16h em razão das altas temperaturas. O principal ponto turístico do país terá horário ajustado para proteger equipes e visitantes. Ao longo de todo o território, foram registradas medidas de segurança associadas ao calor extremo, incluindo impactos no transporte público e na malha ferroviária, com redução de velocidade para evitar deformação de trilhos.
Contexto humano e impacto
Até o momento, as autoridades registraram dezenas de fatalidades associadas à onda de calor, com destaque para afogamentos em áreas não supervisionadas. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu informou que a maior parte das vítimas são crianças, adolescentes ou idosos, enfatizando a necessidade de precaução em atividades aquáticas.
Perspectivas
O governo francês planeja ampliar a eletrificação como parte de uma estratégia para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. A EDF prevê investimentos superiores a €8 bilhões nos próximos 15 anos para adaptar o parque elétrico às mudanças climáticas, embora ainda não haja garantia de que tais medidas evitarão novos episódios de tensão na rede.
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