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O que explica o aumento de autolesão entre crianças e adolescentes

Atlas da Violência de 2026 mostra alta de internações por autolesão entre jovens de 10 a 19 anos, 73% em dez anos, com relação à saúde mental e redes sociais

Dados do Atlas da Violência 2026 mostram que o número de internações por autolesão dos 10 aos 19 anos aumentou 73% em uma década. (Foto: Richard Stachmann/Unsplash)
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  • Atlas da Violência de 2026 aponta aumento de internações por autolesão entre crianças e adolescentes de 10 a 19 anos, com elevação de setenta e três por cento em uma década.
  • Em 2014, foram 3,7 internações por cada cem mil habitantes; em 2024, esse índice chegou a 6,4 por cem mil.
  • Pesquisadores associam o crescimento ao agravamento do sofrimento mental, intensificado pelas redes sociais e pela pandemia de Covid-19.
  • Acesso facilitado a informações sobre saúde mental e o incremento de autodiagnósticos em plataformas como TikTok, Instagram e até IA podem tanto ajudar quanto levar a reprodução de sintomas.
  • Especialistas veem a autolesão como sinal de sofrimento e ressaltam a necessidade de acolhimento e intervenção, não de julgamento ou minimização.

Aumento de internações por autolesão entre jovens fica mais evidente no Atlas da Violência 2026. Dados mostram crescimento significativo de lesões autoprovocadas entre crianças e adolescentes de 10 a 19 anos, com impacto também na saúde física. O total de internações nesse grupo subiu 73% na última década.

O estudo, realizado pelo Ipea em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, compara 2014 e 2024. Em 2014, eram 3,7 internações por 100 mil habitantes; em 2024, o indicador chegou a 6,4. A explicação apontada envolve sofrimento mental agravado por mudanças sociais, especialmente redes sociais.

Pandemia de Covid-19 é citada entre os fatores. Pesquisadores ouvidos pela Gazeta do Povo associam isolamento e afastamento social a uma menor resiliência emocional e ao aprofundamento do vínculo com o mundo virtual. A pandemia também é vinculada a alterações biológicas, com puberdade antecipada em algumas jovens.

Mudança no acesso à informação e ao cuidado

O Atlas aponta que o fácil acesso a informações sobre saúde mental intensificou notificações. Psicóloga clínica Helena Virmonde destaca que adolescentes podem buscar diagnósticos próprios em plataformas digitais, o que pode tanto ajudar quanto levar a sintomas simulados.

Especialistas ressaltam ainda que o ambiente virtual amplifica o sofrimento, influenciando a construção da identidade. Pedro Henrique, professor de psicologia, aponta que a interação rápida e superficial online gera ansiedade e dificuldade de esperar por resultados reais.

Sinais de vulnerabilidade e demanda por apoio

A autolesão costuma ser um mecanismo de enfrentamento para externalizar dor psicoemocional. A pediatra Myrna Campagnoli observa aumento frequente de casos no consultório e aponta redução do estigma, com mais adolescentes buscando ajuda sem o mesmo temor de antes.

A psicóloga Helena reforça que autolesão é sinal de grande vulnerabilidade e pede resposta adequada. Segundo ela, minimizar o comportamento pode piorar o risco, incluindo a possibilidade de desfechos graves. A orientação é buscar suporte profissional.

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