- Lucca Gabriel nasceu em 6 de agosto de 2015 e só recebeu o diagnóstico de cardiopatia congênita anos depois, após um mal-estar durante uma brincadeira.
- Em meados de 2023, ele apresentou piora de saúde durante jogo de futebol, levando a investigações que resultaram no diagnóstico de anomalia de Ebstein no Conjunto Hospitalar do Mandaqui, em São Paulo.
- Em fevereiro de 2024, Lucca passou por cirurgia de correção da válvula; o período pós-operatório teve complicações graves, incluindo intubação por 17 dias, nova cirurgia, perda de fala e parte da massa muscular, e necessidade de um marca-passo.
- Em dezembro de 2025, foi realizado o transplante de coração, seguido de rejeição aguda inicial, retorno à ECMO e um AVC isquêmico durante a recuperação.
- Após meses de reabilitação, ele voltou a correr, brincar e jogar futebol, demonstrando recuperação parcial da infância interrompida pela doença.
Lucca Gabriel nasceu em 6 de agosto de 2015. Aos primeiros dias, médicos desconfiaram de algo errado e ele foi encaminhado para exames, mas recebeu alta sem diagnóstico cardíaco. Anos depois, um mal-estar durante uma brincadeira revelou o problema.
Hoje, aos 10 anos, Lucca voltou a correr, brincar e jogar futebol. A história evidencia a importância do diagnóstico precoce de cardiopatia congênita, que afeta cerca de 30 mil crianças por ano no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.
O tema também é celebrado no Dia Nacional da Conscientização da Cardiopatia Congênita, em 12 de junho, com foco em orientar a população sobre sinais na infância e apoiar instituições que cuidam de crianças cardiopatas. Ainda existem desafios de acesso à assistência.
O que é cardiopatia congênita
As cardiopatias congênitas envolvem alterações na estrutura ou no funcionamento do coração desde o nascimento. Entre as mais comuns estão comunicação interventricular, comunicação interatrial e estenose pulmonar. Sintomas incluem cansaço, falta de ar, suor excessivo e palidez.
Segundo a Dra. Simone Fontes Pedra, o diagnóstico pode ocorrer ainda na gestação. Ela ressalta a importância de um pré-natal cuidadoso e de ultrassons morfológicos no primeiro e segundo trimestres, além do ecocardiograma fetal para avaliar o coração do bebê.
A trajetória de Lucca mostra como o diagnóstico pode atrasar. Em meados de 2023, ele passou mal ao jogar futebol e houve escurecimento da visão. No hospital, o coração aparecia dilatado nos exames.
O diagnóstico definitivo ocorreu no Conjunto Hospitalar do Mandaqui, em São Paulo, revelando anomalia de Ebstein, uma cardiopatia congênita rara. A família descreve pouca informação disponível na época.
Em fevereiro de 2024, Lucca fez a primeira cirurgia para corrigir a válvula. O pós-operatório foi marcado por complicações graves, com 17 dias entubado e necessidade de nova cirurgia. Ainda houve perda de fala e de massa muscular.
Do transplante ao AVC
No fim de 2025, após internações e formação de trombo na válvula, a equipe indicou o transplante como única alternativa. Lucca sofreu uma parada cardíaca e foi indicado à ECMO, que substitui temporariamente o coração e os pulmões.
O transplante ocorreu em dezembro de 2025. Houve rejeição aguda inicial, retorno à ECMO e um AVC isquêmico durante a recuperação. Com meses de reabilitação, o quadro começou a evoluir para sinais de melhora.
Atualmente, Lucca mantém uma rotina próxima do normal: corre, brinca e joga futebol sem os cansaços anteriores. A família aponta a recuperação como uma retomada de parte da infância.
Para a Dra. Simone, casos como o de Lucca reforçam a necessidade de diagnosticar precocemente as cardiopatias congênitas, com 25% dos casos sendo críticos e exigindo tratamento ainda no primeiro ano de vida. O objetivo é planejar o tratamento e melhorar a qualidade de vida.
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