- Em eMalahleni, moradores convivem com poluição de usinas a carvão da Eskom e de minas próximas; Elisabeth Moutloang tem problemas pulmonares desde o trabalho na vila Masakhane.
- Um relatório do Conselho de Pesquisa Médica da África do Sul associa poluição do ar (PM₁₀, SO₂) a maior mortalidade na Área de Prioridade Highveld (HPA), que inclui eMalahleni.
- Planos de reduzir emissão de poluentes em setenta áreas, com meta de forte corte até 2030, enfrentam ceticismo: há pressão para manter o carvão por causa de empregos e atual crise de energia.
- Ações judiciais de Vukani Environmental Movement e groundWork resultaram em decisões que reconhecem direito a um ambiente seguro; há contestações sobre isenções e métodos de medição de emissões da Sasol Secunda.
- Secunda abriga refinaria de carvão para líquidos da Sasol, gerando SO₂ e outros poluentes; moradores relatam sintomas respiratórios, irritação ocular e medo de falar abertamente sobre os impactos.
Entre a Duvha Power Station, de 3,6 GW, e a comunidade de Masakhane, em eMalahleni, Mpumalanga, vive Elisabeth Moutloang, 49 anos. Ela trabalhava há 20 anos em uma mina de carvão e criou uma doença pulmonar após sete meses de serviço, detectada em exame de saída.
A cidade abriga a zona de Prioridade de Alta Vala (HPA), criada em 2007 para enfrentar a poluição do ar. Doze usinas a carvão da Eskom respondem por grande parte da capacidade elétrica do país e estão ligadas a problemas de saúde pública na região.
Impactos à saúde sob estudo
Relatório do SAMRC aponta associações entre poluição do ar e mortalidade nas áreas prioritárias, com elevação de riscos para PM10 e SO₂. Morbidez respiratória, cardiovascular e tuberculose aparecem entre os impactos identificados.
Moutloang atua hoje em Masakhane, que tem cerca de 6 mil moradores. Ela afirma que grande parte da população sofre com problemas respiratórios, torácicos e sinusais, além de casos de tuberculose.
Ações autorais e o contexto regulatório
A Vukani Environmental Movement (VEM) e groundWork movem ações para responsabilizar atividades de mineração e geração de energia. Em 2022, a High Court confirmou direito constitucional a um ambiente seguro; em 2025, o STF exigiu medidas concretas para melhoria da qualidade do ar.
Em março de 2025, o Ministério do Meio Ambiente lançou o Plano de Gestão da Qualidade do Ar da HPA, com meta de reduzir emissões em 40% até 2030, a partir de 2019. A meta abrange SO₂, PM10, PM2,5, NOx e outros poluentes.
Desafios e controvérsias
Especialistas afirmam que cumprir a meta é improvável sem endurecimento regulatório. Críticas apontam a concessão de adiamentos de normas de emissão a Eskom e isenções que afetam a avaliação de emissões.
Sasol, em Secunda, também figura no quadro: a refinaria de carvão para líquidos gerou níveis elevados de SO₂ e poluição. Decisões regulatórias recentes permitiram modos de medição de emissões que facilitam o não cumprimento de metas locais.
Realidade cotidiana e resistência
Moradores relatam medo de retaliação ao falar sobre impactos da poluição. Em eMalahleni, muitos buscam alternativas, mas a economia local e empregos vinculados à indústria dificultam a mudança.
Profissionais de saúde e moradores descrevem ataques respiratórios, dores de cabeça e alergias associadas ao material particulado e aos poluentes gasosos. A exposição contínua compromete a qualidade de vida e o bem-estar.
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