- O eixo intestino-cérebro conecta o intestino ao cérebro, influenciando humor, memória, motivação e resposta ao estresse.
- Cerca de 90% da serotonina do organismo é produzida no trato gastrointestinal, em grande parte pelas bactérias intestinais.
- Alimentos ultraprocessados, com açúcares, gorduras, sódio e aditivos, podem alterar a microbiota e favorecer a disbiose, desequilíbrio entre bactérias benéficas e prejudiciais.
- A disbiose pode provocar inflamação de baixo grau e alterar a produção de metabólitos e neurotransmissores ligados ao bem‑estar.
- Pesquisas recentes, incluindo revisões publicadas em Nutrients (29 de março de 2025) e FASEB Journal (15 de julho de 2025), sugerem caminhos pelos quais aditivos e padrões alimentares podem impactar a saúde mental por meio da microbiota.
O que aquele salgadinho ou biscoito faz com as bactérias que controlam seu humor? Alimentos ultraprocessados podem alterar a microbiota intestinal e influenciar mecanismos ligados ao bem-estar emocional. O eixo intestino-cérebro explica parte dessa conexão entre digestão e humor.
Bactérias intestinais participam da comunicação entre o sistema digestivo e o cérebro. Elas produzem sinais químicos que circulam pelo corpo via sistema nervoso, imunológico e circulação sanguínea. Aproximadamente 90% da serotonina do organismo é gerada no trato gastrointestinal, principalmente pelas células influenciadas pela microbiota.
O problema escondido nos ultraprocessados
Salgadinhos, biscoitos e refrigerantes costumam ter combinações de açúcar, gordura, sódio e aditivos tecnológicos que não existem em formato natural. Emulsificantes, estabilizantes e outros componentes podem alterar a microbiota e favorecer a disbiose, com redução de diversidade bacteriana e alterações na produção de metabólitos benéficos.
Essa disbiose pode abrir caminho para permeabilidade intestinal aumentada e ativação inflamatória, além de impactar a disponibilidade de neuroquímicos ligados ao bem-estar. A inflamação de baixo grau relacionada a esse desequilíbrio pode interferir na comunicação com o cérebro.
Evidências e impactos na prática científica
Revisões recentes discutem os caminhos entre ultraprocessados, microbiota e saúde mental. Uma publicada na Nutrients, em 29 de março de 2025, liderada por Mariane Lutz, aponta alterações da microbiota, inflamação crônica e mudanças na comunicação intestino-cérebro como hipóteses relevantes.
Outra revisão, na FASEB Journal, de 15 de julho de 2025 e com Ty ler Seto como autor principal, analisa como aditivos podem interferir na saúde intestinal, afetando a microbiota, a permeabilidade e mecanismos inflamatórios.
Pequenas escolhas, grandes efeitos
Não é certo que um único pacote de biscoito mude o humor de forma imediata. O que se observa é o efeito acumulado de padrões alimentares mantidos por meses ou anos. Dietas ricas em frutas, verduras, grãos integrais e alimentos minimamente processados favorecem uma microbiota mais diversa e resiliente.
O cérebro e o intestino trabalham juntos diariamente. O que parece apenas um lanche rápido pode enviar mensagens biológicas que influenciam o bem-estar horas depois.
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