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Libélulas, joias pré-históricas, ameaçadas pela ação humana

Libélulas, guardiãs dos rios, enfrentam perda de habitat; sua presença indica qualidade da água e alerta para a degradação ambiental

As libélulas têm asas com uma complexa rede de veias que lhe confere um voo poderoso: as libélulas atuais — muito menores que as da pré-história — conservam quase intacto um desenho morfológico e comportamental que transformou suas ancestrais em máquinas de caça perfeitas. Patricia Casanueva Gómez.
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  • Libélulas são criaturas ancestrais, com registro de mais de 300 milhões de anos, ainda presentes nos rios e lagoas atuais, embora em risco.
  • As libélulas modernas mantêm desenho morfológico e comportamento de predadores eficazes, com visão ampla e capacidade de voo estável, reverso ou dirigido como helicópteros biológicos.
  • Sua vida envolve fase larval aquática, com “máscara” arrojada para capturar presas; o adulto emerge da exúvia à noite e leva horas para endurecer o corpo.
  • Elas atuam como controladoras naturais de pragas, já que larvas consomem larvas de mosquitos, e adultos capturam moscas, mosquitos e borboletas; podem indicar qualidade da água.
  • O declínio atual está ligado à poluição, canalização de rios, pesticidas e restauração de vegetação ribeirinha; pesquisadores veem nas libélulas um bioindicador importante da saúde de ecossistemas aquáticos.

As libélulas, predadoras aladas de origem antiga, sobreviveram a vulcões, geadas e impactos de meteoritos. Hoje, porém, enfrentam ameaças provenientes da atividade humana. Especialistas apontam que a qualidade de água e a conservação de habitats são determinantes para sua sobrevivência.

O texto destaca que as libélulas atuais, menores que as pré-históricas, mantêm estruturas morfológicas e comportamentais eficientes. Seus olhos compostos proporcionam visão quase total, com alta taxa de sucesso na caça, chegando a 95%.

As asas, com veias que lembram vitrais, permitem movimentos precisos e manobras complexas. O lançamento de asas independentes possibilita pairar, recuar e mudar de direção com facilidade, características que sustentam a eficiência predatória das espécies.

A vida da libélula é dividida entre água e ar. Enquanto o adultato voa por semanas ou meses, a larva permanece meses ou anos no fundo de rios, capturando presas com uma máscara articulada. A metamorfose envolve a emergência do adulto a partir do exúvio.

Entre os agentes de controle biológico, as libélulas atuam contra mosquitos, moscas e borboletas. Suas larvas aquáticas também capturam girinos e pequenos peixes, contribuindo para o equilíbrio de ecossistemas aquáticos.

Especialistas ressaltam o valor das libélulas como bioindicadores. A presença delas sinaliza boa qualidade da água, enquanto sua ausência indica alterações ambientais. Em Castela, o termo local enclaraguas reforça essa percepção.

Algumas espécies vivem de forma fragmentada em rios bem preservados, como Macromia splendens, que persiste em populações reduzidas. A tendência global é de recuo conforme a água perde qualidade ou some.

Mudanças climáticas também redesenham a distribuição europeia das espécies, com termófilas avançando para o norte. A conservação exige ações que protejam rios, margens e zonas úmidas, além de pesquisas sobre respostas às mudanças climáticas.

Na Espanha, iniciativas nacionais e regionais apoiam a divulgação e a pesquisa sobre odonatos. Projetos buscam conhecer melhor biologia, ecossistemas e impactos de políticas ambientais, para orientar a proteção dessas espécies.

Cada libélula que ainda voa serve como fragmento vivo da pré-história. Além de fascínio estético, sua presença depende de rios saudáveis e áreas úmidas bem conservadas. A proteção dessas espécies envolve, portanto, a preservação de ecossistemas aquáticos.

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