Em Alta Copa do Mundo NotíciasPessoasAcontecimentos internacionaisPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Pescadores de Mida Creek, Quênia, enfrentam oceano em mudança com esperança

Pescadores de Mida Creek enfrentam queda de captura devido ao aquecimento das águas e pressão do turismo, buscando soluções locais

Alice Kazungu, a fishmonger and vice chair of the newly formed Mida Beach Management Unit (BMU), in Watamu, Kenya. Image by David Akana/Mongabay.
0:00
Carregando...
0:00
  • Em Watamu, Kenya, moradoras como Alice Kazungu aguardam o retorno dos pescadores no desembarque de Mida Creek, com capturas cada vez menores.
  • A Mida Beach Management Unit (BMU) – Unidade de Gestão da Praia de Mida – reúne pescadores, vendedor(as) e comerciantes para compartilhar a gestão das atividades pesqueiras.
  • Fatores apontados incluem práticas de pesca destrutiva, degradação de manguezais e habitats de cria, além de águas mais quentes e correntes mais fortes que reduzem as pescarias.
  • O crescimento do turismo e investimentos privados preocupa o acesso tradicional a pontos de desembarque e áreas de pesca, gerando pedidos por participação pública.
  • Medidas em andamento envolvem restauração de manguezais, campanhas de limpeza, zonas temporárias de pesca e ações de conservação lideradas pela comunidade.

WATAMU, Kenya — Na manhã seguinte, o bote não retornou. Desde as 8h, Alice Kazungu aguardava no cais de Mida Creek, na costa do Oceano Índico, pelo retorno dos pescadores. Horas depois, a espera continuava.

Ao redor, outras mulheres observavam as canoas que se aproximavam. Alguns pescadores voltavam sem peixe; outros não voltaram. Aos olhos de Kazungu, vendedora de peixe e vice-presidente da recém-criada Mida Beach Management Unit, a rotina é marcada pela espera.

As BMUs, unidades de gestão costeira, reúnem pescadores, comerciantes e empresários do setor para organizar a pesca local. Kazungu descreve que a captura vem reduzida há tempos, passando de blocos de pescado para apenas alguns quilos.

Mudanças no oceano

A poucos metros, Philip Baya preside o grupo de pesca local de Dongokundu. Ele pratica a atividade há mais de 30 anos e relata que, antes, o pescado ficava perto da margem. Hoje, é preciso ir mais longe para pescar.

Destruição de áreas de cria, redes monofilamento e envenenamento são apontados como causas da queda. Manguezais também sofrem porque a extração de vermes para isca danifica o ambiente de reprodução dos peixes.

Alguns relatos locais apontam águas mais quentes e correntezas mais fortes na foz. Espécies antes comuns tornaram-se raras ou sumiram, segundo Baya.

Pressões do desenvolvimento

Além da pesca, o turismo cresce junto ao litoral de Watamu. Resorts, restaurantes e passeios náuticos competem com o modo tradicional de pesca pela ocupação do espaço costeiro.

Os moradores veem positivamente o turismo como gerador de empregos, mas temem perder acessos a áreas históricas de pesca. Baya ressalta a necessidade de participação pública para evitar que o turismo sobreponha os modos de vida tradicionais.

Outro ponto de tensão envolve poluição. Pescadores afirmam que barcos turísticos costumam deixar resíduos no estuário, ampliando as pressões sobre o ecossistema.

Caminhos para a solução

Organizações comunitárias promovem restauração de manguezais, limpezas de praias e campanhas de conscientização. Kazungu participa de plantio de mangues, que servem de berçários para peixes e ajudam a proteger a linha costeira.

A Mida Creek Conservation Community coordena ações de restauração e monitoramento. A entidade destaca a importância dos manguezais para a reprodução de várias espécies.

Defensores locais defendem zonas temporárias de pesca, conhecidas como enclosures, para permitir a recuperação de estoques antes da reabertura. Baya aponta que áreas protegidas podem favorecer pescadores e turismo.

Esperança e incerteza

De volta ao cais, o céu se intensifica com a tarde. As mulheres continuam na expectativa de que os pescadores retornem com peixe suficiente para o dia.

Mesmo diante das dificuldades, a comunidade busca soluções para manter a subsistência. O futuro depende de ações locais, apoio governamental e respeito à vocação pesqueira tradicional.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais