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Capela em SP reabre após ossos revelarem passado de escravidão

Capela dos Aflitos reabre em Liberdade após descoberta de ossos de escravizados e indígenas, com restauro de mais de R$ 3,2 milhões e memorial previsto

Capela dos Aflitos no bairro da Liberdade
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  • Capela de Nossa Senhora das Almas dos Aflitos reabre neste sábado, 27 de junho, em São Paulo, após restauração.
  • Localizada no bairro da Liberdade, foi parte do primeiro cemitério a céu aberto da cidade, ligado a escravizados, indígenas e indigentes em 1779.
  • Foram investidos mais de R$ 3,2 milhões para modernização, acessibilidade, preservação e revitalização do espaço.
  • Obras incluíram iluminação, fachada, velário, restauração de bancos, telhado, sacristia e construção de um espaço para os remanescentes humanos encontrados; o local passa a ter piso tátil, mapa, áudio e Libras.
  • Também haverá Memorial dos Aflitos, lançamento de livro sobre as escavações arqueológicas em novembro e divulgação de recursos financeiros já destinados pela Proac e pela prefeitura.

A Capela de Nossa Senhora das Almas dos Aflitos reabre neste sábado, 27 de junho, em São Paulo, na Liberdade, após restauração que preserva o patrimônio histórico e dá continuidade a pesquisas arqueológicas. O templo, uma das construções religiosas mais antigas da cidade, volta ao atendimento ao público com uma missa às 10h e celebra os 247 anos da edificação.

A reabertura ocorre no contexto de descobertas de restos humanos associados a um antigo cemitério aberto do século XVIII. O local, ligado ao Largo da Forca e aos escravizados, indígenas, indigentes e condenados, volta a funcionar para atividades religiosas e de memória. Obras mantiveram o espírito do espaço, preservando sua função histórica.

Restauro e acessibilidade

As obras, iniciadas em abril de 2025, tiveram investimento superior a R$ 3,2 milhões. Foram adotadas medidas para modernização, acessibilidade e conservação, incluindo iluminação, fachada renovada, velário reconstruído e consolidação de estruturas em taipa de pilão.

Bancos, telhado e sacristia passaram por restaurações. Um espaço de sepultamento de remanescentes humanos foi criado para abrigar os achados arqueológicos. O relógio perdido na década de 1950 será devolvido à capela, que passa a oferecer mapas, piso tátil, áudio e Libras para acessibilidade.

Origens e patrimônio

Em 2024, aporte de R$ 2 milhões via edital Proac apoiou a obra, com a Carollo Arquitetura e Restauro à frente, em parceria com a Unamca. Em 2025, a Prefeitura de São Paulo liberou mais R$ 1,2 milhão à Mitra Arquidiocesana de São Paulo, proprietária da capela.

O local já havia passado por intervenções amplas ao longo do tempo, incluindo grandes reformas em 1890 e 1960, além de restauros após incêndio em 1994. A construção ao lado, concluída parcialmente e depois interrompida, motivou novo processo de ressignificação da área.

Memória e desdobramentos

A capela também ganhará o Memorial dos Aflitos para preservar a história do bairro. Em novembro, durante o mês da consciência negra, deve ser lançado um livro sobre as escavações e educação patrimonial associadas ao sítio. As escavações continuam a esclarecer o passado de escravização e resistência na região.

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