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Infertilidade masculina ainda recebe pouca atenção na saúde reprodutiva

Infertilidade masculina é pouco discutida; metade dos casos envolve fatores masculinos, e diagnóstico e tratamento ainda privilegiam a mulher

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  • A infertilidade atinge cerca de 1 em cada 6 casais, sendo aproximadamente metade dos casos relacionada a fatores masculinos.
  • O diagnóstico e o tratamento costumam priorizar a mulher, com o homem frequentemente negligenciado no caminho até exames e decisões.
  • Diretrizes do Reino Unido recomendam avaliação conjunta de casais após 12 meses de relações sem contracepção, com homens e mulheres submetidos aos exames simultaneamente.
  • Mudanças começam a aparecer: encaminhamentos masculinos mais precoces, planos de educação sobre fertilidade masculina e destaque do tema em eventos e políticas de saúde.
  • Especialistas destacam que a infertilidade masculina pode indicar problemas de saúde mais amplos e que falar abertamente sobre o tema ajuda a reduzir estigmas e facilitar intervenções precoces.

Em meados de 2020, Luke e sua esposa decidiram ter filhos durante o confinamento causado pela pandemia. O casal enfrentou 18 meses sem sucesso antes de buscar atendimento, inicialmente com um clínico geral, depois com exames em hospital e clínica de fertilidade.

Ao longo do processo, a atenção se voltou quase exclusivamente à mulher. Os agendamentos e contatos costumavam ficar em nome dela, mesmo com os dados do marido registrados. O casal relata que, no diagnóstico, o sistema parece partir do pressuposto de que o problema é feminino.

Mais de um ano se passou até que Luke fosse informado de que o esperma dele poderia explicar parte da dificuldade. A descoberta chegou apenas após insistência para revisar exames, revelando uma varicocele que compromete a qualidade dos espermatozoides. O tratamento foi iniciado, mas as dificuldades para engravidar persistiram.

A infertilidade é comum: atinge cerca de 1 em 6 casais, com metade dos casos associada a fatores masculinos, isolados ou combinados a fatores femininos. Diretrizes do Nice indicam avaliação conjunta de casais que não engravidam após 12 meses de relação desprotegida.

Grace aponta consequências concretas desse padrão: o peso emocional recai sobre as mulheres, aumentando o tempo, o custo e a complexidade dos tratamentos. Em alguns casos, atrasos na identificação do problema podem exigir exames mais invasivos.

Observando a evolução, especialistas avaliam que mudanças começam a ocorrer, ainda de forma gradual. Há avanços no encaminhamento de homens para especialistas ainda antes de avaliações da parceira, mas o caminho é lento, e o protagonismo feminino persiste.

James, de North Yorkshire, relata o impacto emocional de aceitar a infertilidade após anos de tentativas. O diagnóstico de espermograma com sinais de fragilidade levou a um longo percurso de consultas e tratamentos, sem sucesso definitivo. O estigma associado à masculinidade dificulta o suporte dos homens.

Mesmo com aconselhamento obrigatório antes do tratamento, a oferta de apoio não é uniforme para homens. O regulador HFEA aponta que existem menos grupos de apoio masculinos, embora haja sinais de melhoria com iniciativas privadas e públicas.

Diversos casos mostram que homens costumam buscar ajuda apenas após pressão da parceira ou quando há confirmação dos problemas. Em paralelo, narrativas de adaptação incluem mudanças de hábitos de vida, como alimentação, álcool e tabagismo, embora os efeitos rápidos não sejam garantidos.

Estudos indicam resistência de parte dos profissionais em solicitar espermogramas a homens, reforçando a necessidade de maior envolvimento masculino nas avaliações de fertilidade. Pesquisas recentes e debates públicos sinalizam uma mudança gradual desse cenário.

Mudanças positivas aparecem em planos educacionais e eventos voltados à fertilidade masculina. Planos de educação sobre saúde reprodutiva em escolas passam a enfatizar fatores de risco para fertilidade masculina com igual relevância aos riscos femininos. Eventos especializados destacam a fertilidade masculina como tema central, não apenas como complemento.

Especialistas ressaltam que a infertilidade masculina pode ser um indicativo de riscos à saúde geral, como obesidade, hábitos de vida e desequilíbrios hormonais. A percepção de que o tema é apenas sobre concepção começa a ceder, abrindo espaço para intervenção precoce e acompanhamento mais integrado.

Caso de Luke e sua parceira segue com novas tentativas de fertilização, desta vez com a técnica ICSI, que injeta diretamente o espermatozoide no óvulo. A mudança busca aumentar as chances de sucesso, considerando possíveis restrições todavía não resolvidas.

Para profissionais, a evolução envolve reconhecer a fertilidade masculina como parte essencial da saúde masculina, não apenas como aspecto ligado à gravidez. A comunicação entre pacientes e serviços de saúde precisa acompanhar esse avanço, com apoio contínuo e acessível.

Enquanto a sociedade avança, casos como o de James ressaltam a importância de suporte emocional e de redes de acolhimento. Grupos de homens com problemas de fertilidade ganham espaço, reduzindo o isolamento e incentivando a busca por informações e tratamentos.

Sinais de melhoria aparecem também no setor privado, com avanços tecnológicos e maior oferta de tratamentos. Observa-se ainda uma tendência de maior participação masculina nas etapas iniciais de avaliação, promovendo maior equilíbrio no tratamento.

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