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Preço do hype nos Lençóis Maranhenses: turismo recorde e sustentabilidade

Turismo recorde nos Lençóis Maranhenses aumenta pressão sobre ecossistema dinâmico, infraestrutura e comunidades, exigindo planejamento e gestão ambiental.

ntre dunas e lagoas cristalinas, os Lençóis Maranhenses revelam um dos cenários naturais mais singulares do Brasil (Divulgação)
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  • Em 2025, o parque recebeu 656.388 turistas, alta de 41,28% frente ao ano anterior, impulsionada pela pandemia e pelo reconhecimento da UNESCO.
  • A temporada de maior visitação ocorre entre junho e julho, quando lagoas estão cheias, com acesso principalmente por Barreirinhas, Santo Amaro ou Atins; apenas em junho e julho de 2025, houveram mais de 207 mil desembarques no Maranhão.
  • A pressão sobre infraestrutura, água e resíduos cresce: em Barreirinhas 7% da população tem acesso à rede de esgoto; 60% usam fossas; 63% dos resíduos de Santo Amaro são queimados; acordo estadual prevê transporte de lixo para aterro licenciado em Bacabeira.
  • O ICMBio usa um “número balizador” de capacidade de carga para orientar restrições de acesso conforme o impacto ambiental, além de combinar monitoramento, fiscalização e participação de municípios, comunidades, universidades, operadores e forças de segurança.
  • Em Atins e Barreirinhas, há paradoxos locais: aumento de turismo, valorização imobiliária e necessidade de saneamento; UNESCO é visto como proteção, mas há desafio de distribuir visitantes pelo parque e manter a qualidade de vida das comunidades tradicionais.

A alta do turismo nos Lençóis Maranhenses trouxe ganhos econômicos para comunidades locais, geração de empregos e negócios de base, mas também pressões sobre infraestrutura, ecossistemas frágeis e resíduos. O parque nacional ganha visibilidade internacional após a pandemia e o reconhecimento da UNESCO.

Entre Barreirinhas, Santo Amaro e Atins, o fluxo de visitantes aumentou de forma expressiva. Em 2025, o parque recebeu 656.388 turistas, alta de 41,28% ante 2024, segundo dados das secretarias municipais monitorados pelo Observatório do Turismo do Maranhão. O crescimento concentra-se na época seca, entre junho e agosto.

O acesso ainda depende de deslocamento de São Luís até as portas de entrada, com cerca de quatro horas de estrada. Não há voos diretos para Barreirinhas, o que envolve planejamento logístico para muitas famílias e empresas locais.

O ecossistema dinâmico dos Lençóis é afetado pela presença humana. Ventos deslocam dunas e lagoas, abrindo e fechando áreas naturalmente. A maior pressão aparece nos atrativos mais visitados, que recebem parte expressiva dos turistas ano a ano.

Desafios e medidas em curso

Em Atins, a vila que atrai kite surf e turismo de luxo enfrenta valorização imobiliária e mudança no modo de vida dos moradores. A comunidade teme que o crescimento seja mais rápido que a capacidade de planejamento regional.

Barreirinhas registra baixa infraestrutura de saneamento: apenas 7% da população é atendida pela rede de esgoto, com parte dos resíduos indo a lixões. A prefeitura assinou acordo com o governo do Maranhão para transportar resíduos a um aterro licenciado em Bacabeira, a 196 km de distância.

Em Santo Amaro, a situação é ainda mais crítica: apenas 0,22% da população tem acesso à rede de esgoto, e frente a 63% dos resíduos sólidos queimados, há riscos de poluição. O governo estadual trabalha para ampliar a coleta seletiva e campanhas de conscientização.

O ICMBio reforça que o turismo precisa crescer com governança e fiscalização. Um “número balizador” pode orientar restrições de acesso em pontos sensíveis, com base em condições locais e impactos observados ao longo do tempo.

Caminhos para o equilíbrio

As autoridades destacam a necessidade de distribuir visitantes pelo território, não apenas manter a visita aos atrativos mais famosos. A ideia é integrar educação ambiental entre condutores, moradores, universidades e operadores de turismo.

Além de regulamentar o uso público, o plano estadual prevê ações para reduzir impactos, melhorar o saneamento e ampliar a gestão de resíduos. O ICMBio acompanha o fluxo com taxas municipais e monitoramento de campo para ajustar regras de acesso.

A UNESCO, para o governo local, também representa proteção adicional ao ecossistema. A meta é transformar o turismo em legado positivo, mantendo a paisagem, a cultura e a qualidade de vida das comunidades ao redor do parque.

Entre 2025 e 2026, as autoridades mantêm o foco na redução de pressões para acompanhar o crescimento recorde. Ao todo, mais de 3 mil pessoas foram capacitadas em interpretação ambiental, fortalecendo guias e condutores como agentes de conservação.

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