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Aterro do Rio gera créditos de carbono para compensar emissões da Seleção

CTR-Rio transforma resíduos em energia e créditos de carbono, tornando a Seleção brasileira a primeira a neutralizar emissões em uma Copa do Mundo

Gabriel Martinelli comemora com seus companheiros após marcar o segundo gol da equipe durante a partida das oitavas de final da Copa do Mundo FIFA 2026 entre Brasil e Japão, no Houston Stadium, em 29 de junho de 2026.
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  • A CBF quer neutralizar as emissões da Seleção na Copa do Mundo, tornando o Brasil a primeira equipe nacional a adotar neutralização em larga escala; os créditos vêm do Centro de Tratamento de Resíduos de Seropédica, operado pela Regenera Rio.
  • O CTR-Rio captura biogás (metano) de resíduos e o transforma em energia, biometano e créditos de carbono; a operação recebe cerca de dez mil toneladas de resíduos diárias e produz aproximadamente cinquenta megawatts.
  • O inventário indica que setenta e dois por cento das emissões vêm do transporte da delegação, seguido por hospedagem, alimentação e geração de resíduos; os créditos são calculados antes de cada partida.
  • A iniciativa envolve ainda o Instituto Climático VBH e a Caixa Econômica Federal; créditos já foram usados em amistoso contra o Egito e em partidas da fase de grupos da Copa; o projeto já gerou mais de quatro milhões de créditos desde 2013.
  • Se a Seleção chegar à final de 2026, estima-se a necessidade de cerca de mil créditos para compensar a campanha; o projeto ressalta que o lixo pode contribuir para a descarbonização por meio de gestão de resíduos e captura de metano.

O lixo diário, no entanto, pode contribuir para a descarbonização da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Em Seropédica, na Região Metropolitana do Rio, um aterro sanitário está gerando créditos de carbono para compensar as emissões da delegação masculina e feminina. A iniciativa é parte do projeto Seleção Carbono Neutra, apoiado pela CBF.

Os créditos vêm do Centro de Tratamento de Resíduos CTR-Rio, operado pela Regenera Rio, empresa da Aegea. O aterro recebe cerca de 10 mil toneladas de resíduos diárias de sete municípios fluminenses. A captação de biogás evita a liberação de metano na atmosfera.

Apoiam o programa o Instituto Climático VBH, que calcula emissões antes e depois das partidas, e a Caixa Econômica Federal, responsável pela comercialização dos créditos. A meta é tornar o Brasil a primeira seleção nacional a neutralizar emissões em uma Copa do Mundo.

Como funciona a compensação, na prática, envolve medir a pegada da delegação — voos, deslocamentos, hospedagem, alimentação e resíduos. A partir desses dados, parte das emissões é compensada com créditos gerados no aterro de Seropédica.

O metano, gás de efeito estufa 28 vezes mais potente que o CO₂, é capturado no CTR-Rio. O biogás resultante é transformado em energia e biometano, enquanto o restante é destinado à geração de créditos de carbono certificados.

Segundo Alexandre Citvaras, diretor de Novos Negócios da Regenera Rio, o CTR-Rio já produz cerca de 25 mil metros cúbicos por hora de biogás, com metade sendo metano. A capacidade energética chega a 50 megawatts, capaz de abastecer 350 mil lares.

Desde a operação, o projeto já gerou mais de 4 milhões de créditos de carbono. Eles atendem o mercado voluntário e têm sido usados por empresas, bancos e grandes eventos, como a COP30.

A atuação da Seleção na Copa de 2026 também já utilizou créditos do aterro de Seropédica antes de partidas como Egito e Marrocos, com neutralizações que variam de dezenas a centenas de toneladas de CO₂e. O inventário é feito após cada jogo.

A produção de créditos está associada ao manejo de aproximadamente 5 mil toneladas de resíduos por dia, estimativas da Regenera Rio. Caso a Seleção alcance a final, a previsão é de uso de cerca de 1.000 créditos para a campanha completa.

O CTR-Rio substituiu o antigo lixão de Gramacho e opera como um complexo de engenharia ambiental. Além da captação de biogás, o complexo dispõe de drenagem de chorume, impermeabilização e monitoramento para reduzir impactos.

Especialistas ressaltam que a gestão de resíduos precisa ganhar maior protagonismo no debate climático nacional. Citvaras afirma que o futebol ajuda a levar esse tema a um público amplo, sem perder o foco técnico de resultados.

Enquanto o torneio enfrenta desafios de calor extremo, a FIFA adotou pausas para hidratação e ampliou áreas de resfriamento nos estádios. Espera-se que o clima influencie o desempenho, mas a iniciativa ambiental permanece como parte da agenda da Seleção.

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