- Estudo com 2.585 adultos com 60 anos ou mais, em Guangzhou, China, associa uso compulsivo do celular a maior risco de depressão entre idosos, especialmente quando o aparelho substitui interações sociais.
- O risco está mais relacionado à forma de uso do que ao tempo de tela: uso para entreterimento passivo tende a aumentar sintomas depressivos; uso para interações com pessoas não reduz esse risco.
- Dois grupos mostram vulnerabilidade maior: homens viúvos com baixa escolaridade e dependência de smartphones; pessoas com mais de 60 anos, alta renda e escolaridade, sem redes sociais significativas.
- Um terceiro grupo de maior risco são homens solteiros, com vida social relativamente ativa, alto uso do celular e pouca comunicação pelo app, sugerindo escapismo digital.
- As autoridades ressaltam que não há relação de causa e efeito comprovada; recomendações vão de oficinas comunitárias para ensinar habilidades digitais até atividades que promovam senso de propósito e redes de apoio, além de design de tecnologia sensível à idade.
O uso compulsivo do celular pode estar ligado a um maior risco de depressão entre pessoas com 60 anos ou mais, mas o fator-chave não é o tempo de tela, e sim como o aparelho é utilizado. A pesquisa analisa a relação entre dependência de smartphone e sinais depressivos na terceira idade.
O estudo avaliou 2.585 adultos com 60 anos ou mais, residentes em 87 comunidades de Guangzhou, na China. Foram verificados três aspectos centrais: sintomas de depressão, uso do smartphone e participação em atividades sociais.
A depressão foi classificada em ausência de sintomas, depressão leve e depressão clínica. O uso do celular foi medido pela intensidade da dependência e pelo tipo de atividade: entretenimento passivo ou interação com outras pessoas por mensagens, redes e videochamadas.
Grupos de maior vulnerabilidade
Homens viúvos com baixa escolaridade e sinais de dependência revelaram-se um grupo de maior risco, representando quase metade dos casos de depressão. A menor escolaridade pode limitar a alfabetização digital e favorecer o entretenimento passivo.
Entre esses homens, o risco aumenta quando a rede de apoio é centralizada no cônjuge. Com visto ou isolamento, eles enfrentam mais dificuldade para ampliar relações, o que pode aumentar a vulnerabilidade à depressão, segundo os pesquisadores.
Outro grupo de risco inclui pessoas com mais de 60 anos, de ambos os sexos, com maior escolaridade e renda, mas com poucas conexões sociais significativas. A conclusão aponta que renda e escolaridade não protegem sozinhas.
Soluções e estratégias sugeridas
Foi observado ainda um terceiro grupo: homens solteiros com vida social relativamente ativa, porém alta dependência do smartphone e uso mínimo para mensagens ou videochamadas. A ausência de apego pode gerar vazio emocional, levando ao escapismo digital.
Os autores destacam que não há prova de causalidade entre uso excessivo do celular e depressão. Não é possível afirmar se o celular aumenta o risco ou se pessoas deprimidas usam mais o aparelho.
#### Implicações práticas
A prevenção deve considerar o perfil individual. Em homens com baixa alfabetização digital, oficinas comunitárias entre avós e netos podem ensinar habilidades, incluindo videochamadas. Para pessoas mais instruídas, atividades com propósito, mentoria e voluntariado ajudam na integração.
Para homens idosos solteiros, sugere-se triagem proativa por profissionais de saúde e oficinas de inclusão digital que fortaleçam redes de apoio. Desenvolvedores são incentivados a considerar design sensível à idade para promover bem-estar digital.
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