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Degelo pode liberar risco invisível além do aumento do nível do mar

O descongelamento do permafrost libera carbono e metano, altera ecossistemas do Ártico e pode intensificar o aquecimento global

O degelo pode esconder um perigo climático ainda maior do que a alta do mar. (Imagem: Fala Ciência via Gemini)
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  • O degelo do permafrost pode liberar carbono antigo armazenado no subsolo ártico, convertendo-o em dióxido de carbono e, em áreas encharcadas, em metano.
  • O metano tem maior poder de aquecimento no curto prazo, o que pode acelerar o aquecimento global por meio de um ciclo de mais degelo e mais emissões.
  • O degelo não é apenas gelo virando água: o solo pode afundar, rachar, formar lagoas, alterar o fluxo de água e modificar a vegetação local.
  • Um estudo de 26 de março de 2026, na revista Global Change Biology e liderado por Jan Mollenkopf, aponta que mudanças na vegetação em áreas de permafrost em degelo podem elevar as emissões de gases de efeito estufa, especialmente com gramíneas dominantes.
  • O degelo do permafrost tem impacto global por meio de feedback climático, afetando ecossistemas polares, infraestrutura, ciclos da água e o equilíbrio do carbono no planeta.

O degelo do permafrost envolve mais do que o aumento do nível do mar. Em cadeias geladas, o solo congelado começa a descongelar, liberando carbono antigo preso há milênios. O processo pode intensificar mudanças climáticas de forma indireta.

O permafrost é solo que permanece congelado por pelo menos dois anos. Ao descongelar, ele transforma matéria orgânica antiga em dióxido de carbono e, em áreas com pouca oxigenação, em metano. Esses gases aquecem o planeta de maneira diferenciada.

Quando o gelo se rompe, o terreno pode afundar, rachar e formar lagoas. A vegetação também muda, alterando fluxos de água e comunidades biológicas locais. Essas mudanças não são apenas locais, mas dinâmicas de ecossistemas inteiros.

Debaixo do gelo existe um estoque gigantesco de carbono

O subsolo ártico acumula carbono ao longo de eras. Microrganismos atuam sobre essa matéria orgânica quando há descongelamento, liberando CO2 e, em áreas encharcadas, metano, gasoso com alto potencial de aquecimento.

Estudo recente aponta emissões elevadas com a vegetação de permafrost

Um estudo publicado em 26 de março de 2026 na Global Change Biology, comandado por Jan Mollenkopf, mostrou que mudanças na vegetação elevam emissões de gases. Gramíneas dominantes favorecem cadeias que geram metano.

O impacto vai muito além do Ártico

O degelo participa de um feedback climático: aquece mais, leva a mais degelo, amplificando o aquecimento global. Além disso, afeta ecossistemas polares, infraestrutura humana e o regime de rios e lagos no Ártico.

Além da imagem do gelo, o subsolo revela o risco invisível

A partir de imagens, o debate costuma focar no nível do mar. O subsolo descongelando, com biodiversidade acordando e carbono voltando à atmosfera, é a face menos visível, mas crucial para o clima futuro.

No conjunto, o degelo do permafrost representa não apenas uma perda de gelo, mas uma transformação de sistemas terrestres inteiros, com impactos potenciais para o ritmo do aquecimento global e para ecossistemas de várias regiões do planeta.

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