- Cientistas propõem o StormWall, uma barreira espacial que liberaria gás ionizado na magnetosfera para atenuar tempestades geomagnéticas.
- A ideia, publicada na revista Space Weather, visa reduzir danos potenciais de grandes tempestades solares estimados em mais de US$ 2,4 trilhões.
- Em simulações de maio de 2024, seis espaçonaves liberaram gás semelhante ao bário por 14 horas, com redução de intensidade da tempestade.
- A proposta sugere que a barreira poderia diminuir em 50% ou mais o impacto de uma tempestade de grande magnitude, como a que ocorreria a cada século.
- Questões práticas incluem o alto custo e as incertezas sobre impactos ambientais ao liberar centenas de toneladas de gás na magnetosfera.
O estudo propõe a criação de uma barreira artificial no espaço para reduzir os impactos de tempestades geomagnéticas extremas. O conceito, chamado StormWall, sugere o uso de uma frota de satélites para liberar gás ionizado na magnetosfera terrestre, a fim de suavizar as partículas carregadas que acabam atingindo a Terra.
Segundo a pesquisa, a técnica permitiria aumentar a densidade de plasma no escudo magnético do planeta para diminuir a intensidade das tempestades. A ideia é proteger redes elétricas, satélites e serviços de comunicação, minimizando danos econômicos.
O que é proposto
Em simulações baseadas na grande tempestade geomagnética de maio de 2024, seis espaçonaves liberaram gás semelhante ao bário durante 14 horas. Os resultados apontam redução significativa da intensidade da tempestade, com ganhos estimados acima de 50%.
Os autores afirmam que, se aplicada, a barreira poderia mitigar danos em eventos do tipo que ocorre a cada século, que replicariam prejuízos de milhares de bilhões de dólares em ações e infraestruturas. O líder do estudo descreve o modelo como uma mudança de paradigma.
Quem participa e onde
O estudo foi publicado na Space Weather e citado pela The Planetary Society como base para a proposta do StormWall. A equipe destaca que o conceito nasce da observação de processos naturais: a atmosfera superior já libera íons durante tempestades, fortalecendo o campo magnético.
A ideia envolve disparos controlados de plasma na magnetosfera, com objetivo de tornar o escudo magnético terrestre mais resistente a perturbações. A proposta leva em conta que o sistema também poderia atenuar as auroras geradas pelas tempestades.
Por que se discute
A estimativa de custo considera a alocação de centenas de toneladas de gás injetadas no espaço. A simulação analisou uma cadência de lançamento compatível com veículos de grande porte disponíveis hoje. O total de carga útil prevista supera várias dezenas de toneladas.
Especialistas ressaltam que ainda existem dúvidas sobre as consequências ambientais e técnicas de injetar gás ionizado na magnetosfera. Defesa de satélites por outros meios é citada como alternativa com menor complexidade.
Questões históricas e limitações
O Evento Carrington, ocorrido em 1859, é citado como exemplo extremo de tempestade solar. Embora a infraestrutura elétrica moderna exista, pesquisadores alertam que um evento similar hoje poderia provocar interrupções mais amplas e custos maiores.
O estudo reconhece que proteger infraestruturas por meio de uma barreira espacial envolve riscos e demanda mais análises. Em especial, é essencial entender impactos não previstos sobre o ecossistema espacial e sobre a beleza das auroras.
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