- Economistas afirmam que o Estado pode impulsionar o crescimento com infraestrutura, combinando ação direta e incentivo ao setor privado; o BNDES tem papel central em estruturar concessões, PPPs e crédito à exportação.
- O BNDES já funciona como indutor, com foco em projetos de infraestrutura, análise de viabilidade e escolha entre modelo privado, PPP ou concessão, visando R$ 467 bilhões em investimentos e outorgas.
- O banco tem trabalhado com uma carteira de 197 itens de infraestrutura em parceria com órgãos federais, estaduais e municipais, com contratos típicos de cerca de 35 anos.
- Desafios apontados incluem redução do orçamento do BNDES, maior participação de fundos privados no financiamento e críticas a taxas de juros mais altas após a mudança para a TLP.
- Além do financiamento interno, o BNDES pode apoiar exportação de tecnologia, com exemplos de crédito à exportação usados por países aliados; 2020 registrou cerca de US$ 18 bilhões em crédito a exportação no exterior.
O governo pode influenciar o investimento privado por meio de estratégias que combinam atuação direta e incentivos ao setor privado. Economistas de diferentes correntes reconhecem o papel do Estado na infraestrutura, incluindo estradas, portos e ferrovias, mas divergem sobre o modelo ideal.
Especialistas consultados pelo Poder360 defendem um equilíbrio entre atuação estatal e participação do mercado. Empresas e governo teriam papéis complementares, adaptando o mix conforme as necessidades do país em cada etapa.
Historicamente, o BNDES foi usado como indutor do crescimento. Outros bancos federais também financiaram projetos sociais, com papéis distintos ao longo das décadas.
O PAPEL DO BNDES
O BNDES, criado há 70 anos, foca na organização de projetos de infraestrutura para governo federal, estados e municípios. Analisa custos, riscos e a melhor forma de viabilizar cada contrato.
A instituição pretende direcionar cerca de R$ 467 bilhões em investimentos e outorgas. Desde 2019, foram realizados 35 leilões com faturamento próximo de R$ 251 bilhões.
A carteira de projetos, gerida pela chamada Fábrica de Projetos, abrange infraestrutura logística, urbana, energética e social. Também há iniciativas em telecomunicações, parques e florestas.
O banco trabalha com uma equipe de cerca de 250 pessoas dedicadas à estruturação de projetos. Segundo Fábio Abrahão, a idea é ampliar a participação de diferentes operadores e financiadores no mercado de infraestrutura.
Concessões de saneamento em estados como Alagoas, Amapá e Rio de Janeiro mobilizaram compromissos privados de investimentos da ordem de R$ 72 bilhões, com a participação de fundos estrangeiros, multinacionais e grandes grupos nacionais. A estrutura societária evoluiu com maior governança.
O BNDES avalia ampliar a atuação em mobilidade urbana e em projetos sociais via parcerias público-privadas, que demandam maior aporte público. Ainda conforme especialistas, melhorias regulatórias, garantias governamentais e um mercado financeiro mais sofisticado são fundamentais para manter o ritmo a longo prazo.
Cenário fiscal e reformas
Para alguns analistas, reformas administrativas são necessárias para reduzir custos com servidores e, assim, liberar mais recursos para investimentos. A redução de subsídios a empresas também é discutida como caminho para ampliar o espaço fiscal de investimento público.
Economistas destacam que a eficácia de agências reguladoras e a existência de garantias públicas fortalecem o ambiente de negócios. Além disso, um mercado financeiro desenvolvido é visto como essencial.
Exportação de tecnologia
O BNDES também poderia apoiar a exportação de serviços nacionais, integrando recursos, avaliação de risco e garantias em uma mesma estrutura. Países como Reino Unido, EUA, Alemanha e Japão já mantêm agências dedicadas ao crédito à exportação.
A China é citada como exemplo de atuação intensiva nesse campo, liberando créditos significativos para aliados. Dados do FMI indicam que, em 2020, US$ 200 bilhões em crédito à exportação foram destinados globalmente, com impactos na geopolítica e na cadeia produtiva.
Entre 2003 e 2018, as operações de exportação de bens de engenharia representaram 1,3% dos desembolsos do BNDES, enquanto investimentos em infraestrutura nacional responderam por 36%. Ainda assim, a exportação de tecnologia pode incrementar empregos e arrecadação, segundo especialistas.
Alguns grandes grupos brasileiros passaram a buscar financiamentos no exterior, criando estruturas nacionais em outros países para manter o acesso a crédito à exportação. A depender do cenário, isso pode favorecer ou dificultar a concentração de riscos no BNDES.
Essas dinâmicas ocorrem em um momento de mudanças institucionais no país. A gestão de investimentos em infraestrutura, o papel do BNDES e as opções de financiamento privado seguem em desenvolvimento, com impactos sobre o desempenho econômico e a competitividade brasileira.
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