Um novo grupo de startups de biotecnologia está apostando na produção de alimentos a partir de bactérias que consomem carbono, prometendo uma solução inovadora para a crescente demanda global por proteínas. Essas bactérias, conhecidas como micro-organismos autotróficos, conseguem sobreviver com uma dieta simples de oxigênio, nitrogênio, dióxido de carbono e vapor d’água, transformando esses elementos […]
Um novo grupo de startups de biotecnologia está apostando na produção de alimentos a partir de bactérias que consomem carbono, prometendo uma solução inovadora para a crescente demanda global por proteínas. Essas bactérias, conhecidas como micro-organismos autotróficos, conseguem sobreviver com uma dieta simples de oxigênio, nitrogênio, dióxido de carbono e vapor d’água, transformando esses elementos em biomassa rica em proteínas. Com a capacidade de se reproduzir rapidamente em grandes tanques de fermentação, essa biomassa é desidratada e transformada em um pó nutritivo, potencialmente renovável.
A fundadora da startup Air Protein, Lisa Dyson, se inspira em pesquisas da NASA dos anos 1960, que exploraram a possibilidade de cultivar alimentos a bordo de naves espaciais. Dyson destaca que a Terra é como uma nave espacial, com recursos limitados, e que é essencial encontrar maneiras de reciclar melhor o carbono. Atualmente, cerca de 25 empresas estão tentando transformar o dióxido de carbono em “proteínas do ar”, com o objetivo de criar uma fonte alimentar com emissões significativamente menores do que a agricultura convencional.
A startup Solar Foods, por exemplo, inaugurou uma fábrica de demonstração em Vantaa, na Finlândia, onde produz um pó proteico chamado Solein. Este produto é feito a partir de bactérias que metabolizam dióxido de carbono e hidrogênio, criando uma alternativa viável e sustentável para a produção de alimentos. A empresa espera produzir até 160 toneladas métricas por ano e já está testando o uso do Solein em diversas preparações alimentares, como massas e sorvetes.
Apesar das promessas, a indústria de proteínas microbianas enfrenta desafios significativos, como a necessidade de escalar a produção e superar a resistência do consumidor em relação a alimentos à base de bactérias. Embora o potencial ambiental seja promissor, com a produção de proteínas microbianas sendo até 100% mais eficiente do que a de proteínas animais, a aceitação do público e a viabilidade comercial ainda precisam ser comprovadas.
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