- A Danone, gigante francês de laticínios presente em mais de 55 países, teve vendas de US$ 28,9 bilhões no ano passado e depende de cadeias que envolvem cacau, soja, óleo de palma e papel.
- A regulamentação da União Europeia sobre produtos sem desmatamento (EUDR) entra em vigor no final de 2025, trazendo maior escrutínio para empresas que lidam com cacau, soja e outras commodities associadas a desmatamento.
- A empresa estabeleceu metas: cadeias de suprimento “limpas” até 2025 e, até 2030, redução de emissões de gases de efeito estufa em vários setores e melhoria de projetos de proteção de ecossistemas.
- Em óleo de palma, cerca de 95% foi certificado como livre de desmatamento pela RSPO; 3% foi certificado mas misturado na cadeia; 2% era óleo de palma convencional da África.
- Em cacau, 79,2% foi certificado como livre de desmatamento; mais de 20% não era certificado ou era desconhecido; a empresa usa Rainforest Alliance, que oferece suporte à avaliação de risco, não garantia de conformidade com a EUDR.
Danone enfrenta desafios de conformidade com a nova regulação da União Europeia que promete rastrear o desmatamento em cadeias de suprimento. A companhia francesa, líder global na produção de laticínios, depende de matérias-primas como cacau, soja, óleo de palma e papel para sustentar suas atividades em mais de 55 países. A EUDR entra em vigor no fim de 2025.
A norma exige que importadores da UE de cacau, gado, borracha, soja, madeira, óleo de palma e café demonstrem que suas produções não tiveram origem em áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. Mesmo com histórico ambiental considerado sólido, Danone reconhece a complexidade de monitorar grandes volumes globais.
A empresa anunciou metas para os próximos anos: cadeias de suprimento livres de desmatamento até 2025, com verificação conforme o Accountabilty Framework Initiative, e ações até 2030 para proteger ecossistemas por meio de projetos de paisagem. Em 2030, também busca reduzir emissões de gases de efeito estufa em 42% frente a 2020 e reduzir emissões ligadas à floresta, solo e agricultura em 30,3%.
Desafios por commodity
Danone atua com óleo de palma, cacau, soja e papel, todas sujeitas à EUDR. Em uma avaliação externa, a transparência da empresa é considerada superior à de muitos pares. A organização Canopée aponta liderança da Danone na área de óleo de palma, embora reconheça o desafio contínuo.
No ano passado, a Danone informou aquisição de 61 mil toneladas de óleo de palma de diversos países com alta biodiversidade. Cerca de 95% desse óleo foi certificado como livre de desmatamento pela RSPO, com 3% certificado, mas misturado na cadeia, e 2% classificado como óleo convencional proveniente da África. A empresa busca fechar as lacunas remanescentes nessas quantidades.
A cacau é maioritariamente certificada pela Rainforest Alliance, com 79,2% de produtos livres de desmatamento. Em cerca de 20% houve certificação ausente ou desconhecida. A cadeia envolve origens como Costa do Marfim, Camarões, Gana, Ecador, Indonésia e outros países com riscos variados de desmatamento.
Rastreabilidade e fornecedores
Para aumentar a rastreabilidade, Danone contratou a consultoria 3Keel e realizou um questionário junto a fornecedores de cacau. Além disso, desenvolve planos com os três maiores fornecedores para reduzir emissões de carbono em 30% até 2030. A empresa afirma trabalhar para cumprir 2025 e as exigências EUDR por meio de cooperação com agricultores e traders.
No setor de soja, o grupo utiliza grãos para alimentação animal e derivados como leite de soja. A maior parte da soja vem de EUA, Canadá, Itália e França, com alto perfil de rastreabilidade (cerca de 80% certificado pela ProTerra). Parte da matéria-prima para alimentação animal ainda vem do Brasil, apresentando maiores dificuldades de conformidade.
Papel e madeira
Em papel e madeira, a Danone comprou 509 mil toneladas no ano anterior, com 71% reciclado, de diversos países. Aproximadamente 95% dos produtos passaram pela certificação FSC, considerada a mais robusta para manejo florestal, embora haja críticas sobre a eficácia de alguns certificados. A empresa também utiliza certificações PEFC e SFI em determinadas regiões.
A empresa planeja monitoramento por satélite em áreas de alto risco para assegurar que as práticas de sourcing não contribuam com desmatamento e busca 100% de compromissos de fornecimento comprovadamente livres de desmatamento. O objetivo é fortalecer relações com gestores de terras e traders locais para avançar nas metas de cadeia de suprimentos.
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