O dólar permanece acima de R$ 6 desde 13 de dezembro de 2023, o que, apesar de beneficiar exportadores, gera desafios significativos, conforme explica José Velloso, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Ele destaca que empresários brasileiros costumam utilizar uma cotação de até R$ 5 por dólar em suas planilhas […]
O dólar permanece acima de R$ 6 desde 13 de dezembro de 2023, o que, apesar de beneficiar exportadores, gera desafios significativos, conforme explica José Velloso, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Ele destaca que empresários brasileiros costumam utilizar uma cotação de até R$ 5 por dólar em suas planilhas de custos, mesmo com a moeda a R$ 6,10, devido ao longo prazo das operações industriais, que podem levar de seis a sete meses. Essa incerteza cambial pode comprometer a competitividade da indústria.
Velloso também ressalta que a alta do dólar encarece insumos dolarizados, como aço e alumínio, que são essenciais para a indústria. Os preços de exportação são frequentemente planejados com base em um dólar mais baixo, enquanto os custos de insumos refletem a cotação atual, que muitas vezes é superior. Apesar do real desvalorizado ter contribuído para um saldo comercial positivo em 2024, a participação da indústria de transformação nas exportações brasileiras caiu de 64% para 54% na última década.
Embora o aumento de 25% nas importações de bens de capital, como máquinas, sugira um investimento em infraestrutura, o consumo aparente desses bens caiu 0,5%, indicando que o crescimento nas importações não se traduziu em maior investimento interno. O consumo de máquinas e equipamentos no Brasil caiu 35% nos últimos dez anos, passando de R$ 570 bilhões em 2013 para R$ 370 bilhões em 2024. A taxa de formação bruta de capital fixo também diminuiu, de 21% em 2013 para 17% atualmente.
A crescente participação da China no mercado brasileiro é uma preocupação adicional. Em 2024, 80% do aumento das importações de máquinas foi de produtos chineses, enquanto países como Alemanha, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos registraram queda nas exportações de máquinas para o Brasil. Essa dinâmica pode impactar ainda mais a competitividade da indústria nacional.
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