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Carros populares desaparecem do mercado brasileiro diante de preços exorbitantes

- O mercado automotivo brasileiro mudou, com SUVs superando carros populares. - A picape Strada lidera vendas em 2024, custando R$ 108 mil. - O preço médio dos veículos ultrapassou R$ 150 mil, sem previsão de queda. - A desvalorização do real e o dólar alto impactam custos de produção. - Modelos simples, como o Fiat Mobi, estão desaparecendo do mercado.

O mercado automotivo brasileiro passou por uma transformação significativa nos últimos anos, deixando para trás os chamados “carros populares”. Há uma década, modelos como o Fiat Palio Fire, que custava R$ 24 mil (equivalente a R$ 45 mil hoje), dominavam as vendas. Atualmente, o preço médio dos veículos ultrapassa R$ 150 mil, com a picape […]

O mercado automotivo brasileiro passou por uma transformação significativa nos últimos anos, deixando para trás os chamados “carros populares”. Há uma década, modelos como o Fiat Palio Fire, que custava R$ 24 mil (equivalente a R$ 45 mil hoje), dominavam as vendas. Atualmente, o preço médio dos veículos ultrapassa R$ 150 mil, com a picape Strada, da Fiat, liderando as vendas em 2024 a partir de R$ 108 mil, seguida pelo Polo Track, da Volkswagen, a R$ 93 mil.

Essa mudança é atribuída a diversos fatores, incluindo o avanço tecnológico que encarece os veículos, tornando-os mais seguros e equipados com recursos como GPS e sistemas de assistência ao condutor. O consultor automotivo Milad Kalume Neto destaca que a desvalorização do real impacta tanto os preços dos carros importados quanto a produção local, já que muitos componentes são cotados em dólar. A pandemia também trouxe desafios, como a escassez de semicondutores, levando as montadoras a focar em modelos mais lucrativos, como os SUVs.

Os carros acessíveis estão se tornando raros, com poucos modelos abaixo de R$ 90 mil, que corresponde a sessenta salários mínimos. Os subcompactos, como o Fiat Mobi e o Renault Kwid, ainda estão disponíveis, mas com menos recursos e acabamentos. O Gol e o Uno, que dominaram o mercado por décadas, agora enfrentam a concorrência dos SUVs, que oferecem maior valor agregado e margens de lucro mais elevadas.

Em 2023, o presidente Lula reduziu impostos para veículos até R$ 120 mil, proporcionando um alívio temporário à indústria. Contudo, essa medida não se sustentou, e os preços voltaram a subir. Com o dólar em torno de R$ 6, Kalume Neto não vê perspectivas de redução nos preços, indicando que a era dos carros populares pode estar chegando ao fim, sem chance de retorno.

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