Em 2022, durante a campanha eleitoral mais disputada desde a redemocratização, o presidente Lula utilizou o aumento dos preços dos alimentos como estratégia para vencer Jair Bolsonaro. Uma das propagandas do PT questionava o que era possível comprar com R$ 100, mostrando que, sob a gestão de Bolsonaro, o trabalhador adquiria apenas itens básicos, como […]
Em 2022, durante a campanha eleitoral mais disputada desde a redemocratização, o presidente Lula utilizou o aumento dos preços dos alimentos como estratégia para vencer Jair Bolsonaro. Uma das propagandas do PT questionava o que era possível comprar com R$ 100, mostrando que, sob a gestão de Bolsonaro, o trabalhador adquiria apenas itens básicos, como salsichas e ovos. A promessa de Lula incluía alimentos mais acessíveis, como picanha e cerveja, mas após dois anos de mandato, essa promessa não se concretizou, resultando em queda na popularidade do presidente.
Os preços das carnes, por exemplo, aumentaram em média 20% em um ano, com a picanha subindo 10% e cortes populares como contra-filé e acém subindo 20% e 26%, respectivamente. A inflação generalizada também afetou outros produtos, como o óleo de soja, que subiu 28%, e o café, com aumento superior a 40%. O economista André Braz, da FGV, destacou que a inflação compromete os benefícios sociais, afirmando que “não adianta dar Bolsa Família e emprego, se a inflação não permite que as pessoas comprem”.
Uma pesquisa da Genial/Quaest revelou que, pela primeira vez no atual mandato, a reprovação ao trabalho de Lula superou a aprovação. A insatisfação é atribuída à percepção negativa sobre a economia, com 83% dos entrevistados afirmando que os preços dos alimentos aumentaram em janeiro. A popularidade de Lula caiu em diversos grupos, incluindo uma perda de oito pontos no Nordeste e cinco pontos entre mulheres. Além dos alimentos, o preço dos combustíveis também é uma preocupação, com o diesel sendo vendido pela Petrobras a 15% abaixo do preço internacional.
Lula, que já havia explorado o tema dos combustíveis em campanhas anteriores, enfrenta desafios para controlar a situação. Em coletiva, afirmou que a definição dos preços é da Petrobras, mas está pressionando a empresa para evitar reajustes, especialmente com a recente queda do dólar. No entanto, a situação se complicou com o anúncio de um aumento de 6,3% no preço do diesel, o que pode agravar ainda mais a insatisfação popular.
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