Os juros futuros no Brasil encerraram a sexta-feira em alta, refletindo um ambiente fiscal conturbado e um cenário externo desafiador. A precificação da Selic terminal se aproximou de 16%, influenciada por ruídos sobre um possível aumento no valor do Bolsa Família. No mercado americano, a criação de 143 mil postos de trabalho em janeiro, abaixo […]
Os juros futuros no Brasil encerraram a sexta-feira em alta, refletindo um ambiente fiscal conturbado e um cenário externo desafiador. A precificação da Selic terminal se aproximou de 16%, influenciada por ruídos sobre um possível aumento no valor do Bolsa Família. No mercado americano, a criação de 143 mil postos de trabalho em janeiro, abaixo das expectativas, e a revisão para cima do mês anterior, impactaram os rendimentos dos Treasuries. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 subiu de 14,955% para 15,02%.
O dólar à vista também encerrou o dia em alta, cotado a R$ 5,7930, após ter atingido uma mínima de R$ 5,7349. A valorização do dólar foi impulsionada por notícias sobre novas tarifas que o presidente dos EUA, Donald Trump, pretende impor. A declaração do ministro do Desenvolvimento, Wellington Dias, sobre um possível reajuste no Bolsa Família devido ao aumento nos preços dos alimentos intensificou a desvalorização do real. Apesar de desmentidos da equipe econômica, o dólar permaneceu valorizado.
Os dados do mercado de trabalho dos EUA, embora abaixo do esperado, mostraram uma taxa de desemprego em 4% e um aumento de 0,48% nos salários, o que sustentou a expectativa de que o Federal Reserve não cortará juros nas próximas reuniões. O rendimento da T-note de 2 anos subiu para 4,298%, enquanto a T-note de 10 anos avançou para 4,496%. A pressão sobre os ativos brasileiros foi acentuada por declarações de Trump sobre tarifas universais.
Analistas destacam que o cenário interno é mais relevante para o câmbio do que as medidas de Trump. O superintendente de câmbio do Banco Rendimento, Jacques Zylbergeld, observa que o mercado está sensível e que o dólar pode voltar a R$ 6,00. Ele ressalta que a popularidade do presidente Lula está em queda, o que pode levar a propostas populistas, como o aumento do Bolsa Família. Zylbergeld enfatiza a importância de medidas fiscais equilibradas, alertando que propostas sem contrapartidas podem agravar a situação econômica.
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