Paulo Vasconcellos, coordenador nacional da organização social Gerando Vidas, relatou um aumento significativo na oferta de vagas operacionais no Brasil, que quase dobrou desde o início de 2024, alcançando entre 2.200 e 2.300 oportunidades por semana. O salário médio dessas vagas também subiu, passando de R$ 1.300 a R$ 1.400 no ano passado para cerca […]
Paulo Vasconcellos, coordenador nacional da organização social Gerando Vidas, relatou um aumento significativo na oferta de vagas operacionais no Brasil, que quase dobrou desde o início de 2024, alcançando entre 2.200 e 2.300 oportunidades por semana. O salário médio dessas vagas também subiu, passando de R$ 1.300 a R$ 1.400 no ano passado para cerca de R$ 1.700 atualmente. Vasconcellos observou que muitos trabalhadores que recebem benefícios sociais estão buscando essas novas oportunidades, refletindo um avanço na renda dos menos qualificados.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE mostram que os trabalhadores sem instrução e com ensino fundamental incompleto foram os únicos a ver seus salários crescerem acima da inflação entre 2012 e 2024, com um aumento de 41%. Em contraste, a renda média dos trabalhadores com ensino médio e superior caiu, com uma redução de 12,3% para os universitários e 6,3% para os de ensino médio. Especialistas atribuem essa recuperação à valorização do salário mínimo e à formalização do trabalho.
Adriana Beringuy, do IBGE, destacou o crescimento em setores como agricultura e construção, que têm absorvido mais trabalhadores de baixa instrução. A informalidade entre esses grupos caiu de 75,2% em 2012 para 71,1% em 2024, enquanto a informalidade entre os universitários aumentou de 27% para 33,2%. Desirée Loponte Emmerich, da Winner RH, mencionou que as seleções para vagas de auxiliares de produção estão mais exigentes, mas ainda há oportunidades sem exigência de escolaridade.
A economista Patrícia Pelatieri, do Dieese, apontou a valorização do salário mínimo como um fator crucial para o aumento da renda entre trabalhadores menos qualificados, que cresceu 20% desde 2022. Apesar da recuperação, a diferença salarial entre os níveis de escolaridade permanece alta, com a renda dos trabalhadores com ensino superior sendo 126% maior que a dos de ensino médio. Janaína Feijó, da FGV, alertou que a queda nos ganhos dos mais escolarizados pode desincentivar a qualificação, o que seria prejudicial para a economia.
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