Os contratos futuros de cacau e café enfrentam uma alta sem precedentes, resultando em dificuldades financeiras para traders que não conseguem mais capital suficiente para movimentar essas commodities globalmente. O aumento dos preços exigiu que os traders depositassem grandes quantias na bolsa de Nova York para garantir suas posições, o que dificultou o financiamento de […]
Os contratos futuros de cacau e café enfrentam uma alta sem precedentes, resultando em dificuldades financeiras para traders que não conseguem mais capital suficiente para movimentar essas commodities globalmente. O aumento dos preços exigiu que os traders depositassem grandes quantias na bolsa de Nova York para garantir suas posições, o que dificultou o financiamento de cargas para exportação. A fabricante de chocolate Hershey destacou uma “desconexão significativa” entre os preços do mercado físico e os futuros, com a falta de liquidez gerando uma volatilidade sem precedentes.
Os futuros de cacau em Nova York quase triplicaram no ano passado devido a condições climáticas adversas e doenças que afetaram as safras na África Ocidental, responsável por cerca de 60% da oferta global. Embora os preços tenham caído 28% em 2025, ainda permanecem acima do dobro da média da última década. O café também viu um aumento significativo, impulsionado por uma safra menor do que o esperado no Brasil, elevando os futuros em 20% este ano, após um ganho de quase 70% em 2024.
A Olam, que opera no comércio de café e cacau, reportou um aumento de 68% em seu capital de giro devido aos preços elevados das commodities. Apesar de uma janela de oportunidade para lucrar com a compra de cacau e transporte para os EUA, poucos traders têm capital disponível para isso. A escassez de contêineres também atrasa remessas, complicando ainda mais a situação. Os torrefadores enfrentam dificuldades em manter estoques, já que os futuros de prazos mais longos têm preços inferiores.
A produção de café no Vietnã deve ser menor nesta temporada devido a condições climáticas desfavoráveis, com uma previsão de 26,5 milhões de sacas para 2024-25, abaixo das 27 milhões do ano anterior. A escassez de oferta global, agravada por problemas de colheita em outros países, elevou os futuros do robusta em quase 70% no último ano. A diretora executiva da Organização Internacional do Café alertou sobre estoques muito baixos, enquanto a floração do cafeeiro no Vietnã parece promissora, o que pode beneficiar a próxima safra.
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