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Venezuelanos abandonam lares em meio à crise e Mairin transforma desocupações em serviço essencial

A crise na Venezuela gera um mercado imobiliário em colapso, enquanto Mairin Reyes ajuda a desocupar casas de migrantes.

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Mairin Reyes, de 65 anos, oferece um serviço de desocupação de casas em Caracas, ajudando proprietários a lidar com a migração e a venda de imóveis. Ela observa a deterioração do mercado imobiliário, onde muitas casas estão vazias devido à saída de quase oito milhões de venezuelanos nos últimos anos. Mairin e sua cunhada, Carolina Pérez, organizam e limpam as casas, registrando os itens que podem ser vendidos. O trabalho delas revela a história de famílias que deixaram o país, com objetos que mostram a vida que tinham. O mercado imobiliário enfrenta dificuldades, com preços caindo e muitos imóveis sem compradores. A situação é complicada, pois a venda de casas se tornou um desafio psicológico para os proprietários, que precisam aceitar a desvalorização de seus bens. Além disso, casas vazias podem se deteriorar rapidamente, causando problemas para os vizinhos.

Mairin Reyes, de 65 anos, atua em Caracas oferecendo um serviço de desocupação de casas, auxiliando proprietários a lidar com a migração e a venda de imóveis. A crise econômica e política na Venezuela resultou na saída de quase oito milhões de venezuelanos, impactando o mercado imobiliário local.

As casas desocupadas apresentam sinais de abandono, com móveis cobertos de poeira e objetos pessoais deixados para trás. Mairin tem apenas quinze dias para desocupar uma residência, onde realiza um trabalho meticuloso de organização e limpeza. Ela observa que muitos imóveis estão sendo vendidos ou demolidos, refletindo a deterioração do mercado.

A migração em massa, impulsionada por uma crise democrática e uma recessão econômica que reduziu o PIB do país em um terço, transformou a Venezuela de um país receptor de migrantes em um dos maiores exportadores de pessoas do mundo. Mairin destaca que seu serviço vai além da mudança de casas, oferecendo apoio emocional aos proprietários que permanecem no exterior.

Mercado Imobiliário em Crise

O mercado imobiliário de Caracas enfrenta uma queda de 50% nos preços desde 2014, com cerca de três mil imóveis vagos na capital. A demanda por habitação diminuiu, e a velocidade de absorção do estoque disponível é tão lenta que pode levar até 25 anos para negociar o que está à venda. A situação é agravada pela instabilidade política e a reimposição de sanções.

Mairin e sua cunhada, Carolina Pérez, também psicoterapeuta, observam que muitos objetos deixados nas casas contam histórias sobre as famílias que partiram. Entre os itens encontrados, há livros, brinquedos e documentos pessoais, que muitas vezes são os únicos laços que os migrantes mantêm com seu passado.

A Câmara Imobiliária Metropolitana alerta que a venda de imóveis de alto valor enfrenta complicações devido a questões de legitimidade de capital. Apesar disso, alguns ainda investem na construção de novos imóveis, embora a maioria das vendas ocorra em áreas periféricas e de menor custo. A realidade é que muitos proprietários enfrentam um dilema psicológico ao decidir vender, reconhecendo a perda patrimonial em um cenário de desvalorização.

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