Uma pesquisa da Kantar mostrou que 85% dos consumidores no mundo querem ser mais sustentáveis, mas apenas 29% realmente mudam seus hábitos. No Brasil, 87% desejam escolhas sustentáveis, mas só 35% agem de acordo. O estudo revelou que muitos brasileiros reconhecem os problemas da indústria do fast fashion, como a exploração de trabalhadores e o impacto ambiental, mas continuam comprando essas marcas. Entre as razões para essa contradição, 35% mencionaram o preço, 33% a falta de informação e 20% a dificuldade de entender o impacto social e ambiental dos produtos. Especialistas afirmam que a sustentabilidade é vista como importante, mas o consumo consciente ainda é restrito a uma elite. Além disso, muitos consumidores estão mais atentos a práticas enganosas de empresas que tentam parecer sustentáveis sem serem. A pesquisa também mostrou que 58% dos entrevistados já viram informações falsas sobre ações sustentáveis das marcas. Para quem quer consumir de forma mais sustentável, especialistas recomendam optar por produtos locais e com certificações, além de comprar menos.
Uma pesquisa da Kantar revela que 85% dos consumidores globalmente desejam ser mais sustentáveis, mas apenas 29% agem de acordo. No Brasil, 87% expressam interesse por escolhas sustentáveis, enquanto apenas 35% mudam seus hábitos.
O estudo, que entrevistou cerca de 23 mil pessoas em 22 países, destaca um dilema comum: muitos consumidores reconhecem os problemas da indústria do fast fashion, mas continuam a comprar. O fenômeno é conhecido como “dilema da blusinha”, onde a consciência sobre práticas trabalhistas e ambientais não se traduz em ações concretas.
Os brasileiros apontam três razões principais para não adotarem hábitos mais sustentáveis: preço (35%), falta de informação (33%) e a crença de que não é possível avaliar o impacto social e ambiental dos produtos (20%). Rafael Farias Teixeira, executivo da Kantar, exemplifica que isso inclui não deixar de comprar roupas de marcas que não pagam salários justos.
Desafios da Sustentabilidade
Ligia Zottin, consultora em sustentabilidade, afirma que a crescente preocupação com o meio ambiente é reflexo das mudanças climáticas visíveis. Ela destaca a dificuldade em identificar marcas realmente sustentáveis devido à falta de padrões internacionais. A regulamentação, como a implementada na França, pode ser um caminho para melhorar a transparência.
Luciana dos Santos Duarte, pesquisadora da Universidade de Haia, observa que a disparidade entre valores e ações dos consumidores é uma constante na moda. Ela ressalta que o consumo sustentável é restrito a uma elite, tanto pelo poder aquisitivo quanto pelo acesso à informação.
Consumo Consciente
Apesar das dificuldades, muitos brasileiros já tomaram decisões de compra baseadas em valores éticos. Cinquenta por cento afirmaram ter reduzido ou parado de comprar produtos devido ao seu impacto negativo. Além disso, 55% estão abertos a marcas com impacto ambiental positivo.
A pesquisa também revela que 58% dos entrevistados notaram informações enganosas sobre práticas sustentáveis, um aumento em relação a anos anteriores. Para Zottin, priorizar produtos locais e reduzir o consumo são passos importantes para uma compra mais consciente.
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