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Taxação dos Estados Unidos não impacta economia brasileira

Tarifas dos EUA geram cautela na indústria brasileira, mas agronegócio, especialmente carnes, registra aumento nas exportações. Desemprego permanece estável.

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Os Estados Unidos anunciaram um novo pacote de tarifas contra o Brasil em abril, o que deixou setores importantes da economia brasileira preocupados. Dois meses depois, os efeitos ainda são pequenos. A indústria está sendo cautelosa, enquanto o agronegócio, especialmente a carne, continua exportando bem. A Confederação Nacional da Indústria mencionou que o impacto das tarifas ainda não é forte, pois as empresas estão formando estoques e negociando. No setor de calçados, as importações da China aumentaram, o que preocupa os fabricantes brasileiros. Por outro lado, as exportações de carne bovina aumentaram, mesmo com tarifas mais altas. Em abril, o Brasil enviou muito mais carne para os EUA do que no ano anterior. No mercado financeiro, as tarifas causaram incertezas, mas até agora não houve demissões significativas. A taxa de desemprego está em 7%, a menor em 13 anos, e as empresas ainda não relataram cortes de empregos.

O novo pacote tarifário dos Estados Unidos contra o Brasil, anunciado em abril, gerou apreensão em setores estratégicos da economia brasileira. Dois meses após o anúncio, os efeitos ainda são limitados, com a indústria adotando uma postura cautelosa e o agronegócio, especialmente o setor de carnes, mantendo ou até aumentando as exportações.

Na indústria, a principal reação tem sido a cautela. Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destaca que o impacto das tarifas ainda é incipiente, devido à formação de estoques e negociações em andamento. A CNI enviou uma missão aos EUA em maio para discutir um tratamento diferenciado por setor e ressaltar a complementaridade produtiva entre os dois países, especialmente em áreas como semicondutores e data centers verdes.

A preocupação se estende à Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), que observou um aumento de 51,7% nas importações de calçados da China em março. Haroldo Ferreira, presidente da entidade, alertou sobre a “invasão” de produtos chineses, que pode se intensificar com a nova tarifa.

Agronegócio em Alta

No agronegócio, o cenário é diferente. As exportações de carne bovina não apenas se mantiveram, mas aumentaram, mesmo com o acréscimo de dez pontos percentuais nas tarifas. Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), informou que em abril o Brasil enviou 48 mil toneladas de carne para os EUA, seis vezes mais que no mesmo mês do ano anterior. Ele ressaltou que, mesmo com tarifas que podem chegar a 36,4%, a carne brasileira continua competitiva.

No mercado financeiro, o impacto das tarifas é difuso. Eduardo Castro, CIO da Portofino Multi-Family Office, afirmou que as decisões americanas desestabilizaram o horizonte de previsibilidade. A expectativa de que a administração Trump seria favorável a ativos de risco foi frustrada, levando a uma reavaliação nas carteiras internacionais.

Emprego Estável

Até o momento, a sobretaxação não resultou em cortes significativos de empregos. Dados do IBGE mostram que a taxa de desemprego ficou em 7% no primeiro trimestre de 2025, a menor em 13 anos. Não há indícios de deterioração nas indústrias voltadas para exportação, e as empresas ainda não reportaram reduções de custos ou demissões.

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