As taxas de juros do crédito consignado privado subiram para 59,1% ao ano, o maior nível desde que o Banco Central começou a registrar esses dados em 2011. Essa alta ocorreu entre março e abril, quando o saldo total do crédito consignado atingiu R$ 704 bilhões, refletindo um aumento na demanda por empréstimos. O novo modelo de crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada, que foi lançado no final de março, permite que os trabalhadores contratem empréstimos diretamente com os bancos, sem precisar da intermediação do empregador. No entanto, a expectativa do governo de que as taxas seriam mais baixas não se concretizou, pois os bancos consideraram que o perfil de crédito dos novos clientes era mais arriscado. O uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia deve começar em julho, o que pode ajudar a reduzir as taxas de juros. Em abril, quase R$ 5,6 bilhões foram emprestados nessa nova modalidade, um aumento de 148,7% em relação ao mês anterior. O saldo do crédito consignado para trabalhadores do setor privado também cresceu 7,4% em abril, alcançando R$ 45,3 bilhões. Economistas acreditam que essa nova linha de crédito pode ter um impacto positivo no crescimento da economia, com projeções de que ela adicione até 0,6 ponto percentual ao PIB nos próximos anos.
O Banco Central (BC) divulgou dados alarmantes sobre o crédito consignado, revelando que as taxas de juros do consignado privado dispararam para 59,1% ao ano em abril, um aumento significativo em relação aos 44% registrados em março. O saldo total do crédito consignado alcançou R$ 704 bilhões, refletindo um crescimento expressivo na demanda por essa modalidade de empréstimo.
Fernando Rocha, chefe do departamento de estatísticas do BC, explicou que o aumento das taxas foi impulsionado principalmente pelo consignado do setor privado. Ele destacou que, enquanto a taxa de juros do consignado total subiu de 26% para 27,2%, o novo crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada (CLT) não apresentou os resultados esperados, contrariando a expectativa do governo de que as taxas seriam mais baixas.
Impacto do Novo Consignado
O novo modelo de crédito consignado, lançado em março, permite que trabalhadores CLT contratem empréstimos com desconto em folha diretamente com os bancos, sem a intermediação do empregador. Rocha observou que a nova linha de crédito provavelmente ampliou o leque de clientes, mas também trouxe um perfil de risco mais elevado, levando os bancos a aumentarem as taxas de juros.
Em abril, as concessões de crédito consignado para o setor privado aumentaram 148,7%, totalizando quase R$ 5,6 bilhões. Apesar do crescimento, a elevação das taxas de juros contraria a expectativa de que os trabalhadores poderiam trocar dívidas mais caras por essa nova modalidade.
Expectativas Futuras
Rocha também mencionou que a implementação das garantias do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na nova linha de crédito, prevista para julho, pode ajudar a reduzir as taxas de juros. A nova modalidade permite que os trabalhadores utilizem até 10% do saldo do FGTS como garantia, além de 100% da multa rescisória em caso de demissão sem justa causa.
O cenário atual levanta preocupações entre economistas, que alertam que a injeção de recursos na economia pode dificultar o controle da inflação. O impacto do novo consignado no Produto Interno Bruto (PIB) é estimado em 0,6 ponto percentual até 2026, segundo o Itaú Unibanco, que prevê um crescimento de 2,2% para este ano.
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