- Em 2024, remessas para a América Latina somaram US$ 161 bilhões, cifra 5% maior que em 2023, segundo o BID.
- O governo dos Estados Unidos avalia tributo de 3,5% sobre remessas, dentro do pacote The One, Big, Beautiful Bill.
- Fintechs, plataformas de câmbio de criptomoedas e neobancos aparecem como alternativas para reduzir custos e acelerar transfers, incluindo operações em ecossistemas digitais.
- No caso da indústria, Ualá não cobra taxa de recebimento no México até MX$ 21.990 por mês; Global66 cobra 2,8% para transferências; Bitso representou 10% do volume México–EUA em 2024.
- Desafios existem: volatilidade de criptomoedas, barreiras digitais e mudanças regulatórias; o crescimento de fintechs na região segue acelerado, com ganhos em pagamentos e remessas.
A fintechs, plataformas de câmbio de criptomoedas e neobancos passam a figurar como alternativas para remessas de migrantes latino-americanos diante de propostas de taxar esse envio de dinheiro para casa. A medida em estudo nos EUA prevê uma cobrança de 3,5% sobre remessas, segundo o governo americano.
Pesquisa de cenário indica que essas opções aparecem como caminhos para reduzir o impacto financeiro sobre famílias na região. Analistas citam custos menores, transferências mais rápidas e estruturas digitais que podem operar fora do regime bancário tradicional.
O debate sobre o tema acontece enquanto remessas para a América Latina atingiram US$ 161 bilhões no ano passado, alta de 5% frente a 2023. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aponta o crescimento, com o México destacando-se pela dependência de remessas dos EUA.
O que está em jogo
A proposta da Câmara dos EUA, integrada ao pacote “The One, Big, Beautiful Bill” apresentado em 12 de maio, ainda depende de avançar vias legislativas. O objetivo é mitigar impactos de impostos sobre remessas, segundo a leitura de especialistas.
Especialistas afirmam que fintechs e serviços de stablecoins ganham espaço entre comunidades migrantes. Vantagens citadas incluem menores custos de transação e velocidade de envio, com potencial de reduzir a dependência de canais tradicionais.
Para o México, observa-se que algumas plataformas nacionais operam com tarifas diferenciadas. A Ualá, na Argentina, oferece isenção de taxa para recebimentos externos com limites mensais, enquanto transferências dos EUA continuam a ser intermediadas por redes como Western Union e MoneyGram.
Remessas entre fintechs e criptomoedas
No caso de plataformas como Global66 (Chile), a transferência ocorre dentro do app, com tarifa de about 2,8%, inferior à média de mercado estimada em 6,2%. Em 2024, Bitso teve participação de 10% do volume de remessas entre México e EUA, somando quase US$ 6,5 bilhões, segundo a própria empresa.
Analistas ressaltam que stablecoins ajudam a manter valor estável em cenários de volatilidade, oferecendo alternativa de câmbio digital para trabalhadores que dependem de envio contínuo. Especialistas destacam o papel das moedas digitais para reduzir custos e ampliar alcance.
Entre as limitações, apontam-se volatilidade de algumas criptomoedas, barreiras de adoção tecnológica e um ambiente regulatório em transformação. Reguladores em vários países estudam regras para capturar fluxos digitais, o que pode reduzir vantagens fiscais a médio prazo.
Perspectivas da região
Dados do BID mostram que o ecossistema de fintechs na América Latina cresceu de 703 para 3.069 empresas entre 2017 e 2023, em 26 países. Pagamentos e remessas aparecem como o segmento mais relevante, seguido por empréstimos e gestão financeira empresarial.
Para quem envia dinheiro para familiares, as soluções digitais ajudam a enfrentar inflação e desvalorização em países como Argentina e Venezuela, além de oferecer maior acesso a serviços financeiros no Brasil e em El Salvador. O saldo regional de criptomoedas registra envolvimento crescente em transferências diárias.
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