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Fies enfrenta alta inadimplência e queda na adesão de estudantes em 2023

Fies enfrenta crise com inadimplência de 62% e queda nas inscrições. MEC avalia novas regras para reverter a situação.

O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) enfrenta uma crise significativa, com índice de inadimplência atingindo 62%, o dobro do registrado em 2014. Criado em 2001, o programa visa financiar alunos de universidades privadas, mas a procura caiu drasticamente, com apenas 167 mil inscrições em 2022. Mudanças nas regras do Fies, que visavam ampliar o acesso, […]

O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) enfrenta uma crise significativa, com índice de inadimplência atingindo 62%, o dobro do registrado em 2014. Criado em 2001, o programa visa financiar alunos de universidades privadas, mas a procura caiu drasticamente, com apenas 167 mil inscrições em 2022.

Mudanças nas regras do Fies, que visavam ampliar o acesso, acabaram afastando o público-alvo, os estudantes de baixa renda. O diretor de Políticas e Programas de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Adilson Santana de Carvalho, afirma que muitos alunos desistem ao ver os valores das mensalidades, que giram em torno de R$ 400,00. A maioria dos inscritos possui renda de até um salário mínimo e meio.

Alternativas em Discussão

Diante da situação, o MEC considera alternativas para reverter a queda nas inscrições. Uma proposta é condicionar a cobrança da dívida à renda do formando. Se o aluno tiver sucesso no mercado de trabalho, poderá quitar a dívida em menos tempo. Caso contrário, poderá receber descontos ou até perdão da dívida.

Outra sugestão é restringir o Fies a quem ganha acima de três salários mínimos (R$ 4.554,00), direcionando as bolsas de estudos integrais do Programa Universidade para Todos (Prouni) aos estudantes de renda mais baixa. Essa mudança visa equilibrar os subsídios do Tesouro e garantir que o critério de mérito seja considerado na concessão das bolsas.

Impacto das Mudanças Anteriores

O auge do Fies ocorreu durante o governo de Dilma Rousseff, quando o programa liberou R$ 61,9 bilhões em empréstimos, resultando em um crescimento de 1.000%. Contudo, a liberalidade da época levou a um aumento nas mensalidades das universidades, que se beneficiaram do pagamento garantido pelo governo. As reformas implementadas posteriormente, durante o governo de Michel Temer, restringiram o financiamento a 100% das mensalidades, exigindo que os alunos pagassem ao menos 30%.

Essas mudanças, embora necessárias, podem ter contribuído para a evasão e a diminuição da procura pelo Fies, que precisa urgentemente de um novo direcionamento para atender seu público-alvo.

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