- O diretor de Política Monetária do Banco Central do Brasil, Nilton David, afirmou que a Selic está em 15% ao ano e em nível restritivo.
- Ele destacou a necessidade de tempo para observar a evolução da inflação e a meta de 3% será rigorosamente perseguida.
- David mencionou que a interrupção do ciclo de alta da Selic foi um consenso no Comitê de Política Monetária (Copom).
- O Banco Central elevou a Selic em 0,25 ponto percentual e indicou que a taxa será mantida por um período prolongado.
- O diretor também citou ruídos que dificultam a análise do juro neutro, como a recente taxação de fundos exclusivos e offshore, que impactou a demanda por títulos isentos.
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que a Selic, atualmente em 15% ao ano, está em um nível restritivo e que a autarquia precisa de tempo para observar a evolução da inflação. Durante uma conferência do Citi em São Paulo, ele destacou que a meta de inflação de 3% será perseguida com rigor.
David ressaltou que a interrupção do ciclo de alta da Selic foi um consenso no Comitê de Política Monetária (Copom). Ele explicou que não há um número mágico que resolva a questão da inflação, mas sim um processo contínuo de análise. “Precisamos de bastante tempo para ver essa série evoluindo”, afirmou.
O Banco Central elevou a Selic em 0,25 ponto percentual neste mês e já sinalizou que a taxa será mantida nesse patamar por um período prolongado. David observou que há indícios de que a política monetária está surtindo efeito e que a economia está se ajustando ao seu potencial.
Ruídos no Mercado
O diretor também mencionou que existem ruídos que dificultam a análise do juro neutro no Brasil, que é o nível que não estimula nem arrefece a atividade econômica. Ele citou a aprovação, no final de 2023, da taxação de fundos exclusivos e offshore, que gerou uma demanda inesperada por títulos isentos. Essa situação provocou uma redução do spread para captação de crédito, contrariando as expectativas em um cenário de aperto monetário.
David destacou que a avaliação dos juros neutros deve considerar fatores estruturais. Ele observou que, ao desconsiderar certos eventos, a percepção de que os juros neutros de 5% são baixos se torna evidente. O diretor reafirmou que a política monetária está funcionando e que a economia está se recuperando, mesmo em um cenário global de incertezas, especialmente em relação à política econômica dos Estados Unidos.
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