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Dia Mundial do chocolate: saiba mais sobre a crise do cacau

Desde 2023, as safras da África enfrentam problemas que geram consequências em todo mercado

Os preços dos chocolates estão cada vez mais em alta - Foto: Reprodução/GoodFon
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Nesta segunda-feira, 7 de outubro, é comemorado o Dia Mundial do Chocolate, mas a celebração não é mais tão animada devido à crise do cacau, que começou há alguns anos. A produção de cacau caiu mais de 400 mil toneladas nas safras de 2023 e 2024, segundo a Organização Internacional do Cacau. Quatro países da África Ocidental, que produzem 65% do cacau mundial, enfrentam problemas como um vírus que causa a doença do broto inchado, reduzindo a produtividade. Além disso, as mudanças climáticas e os efeitos do fenômeno El Niño pioraram as colheitas. Isso resultou em quedas significativas nos estoques de cacau em Londres e Nova York. O Brasil, o sexto maior produtor de cacau, também sente os efeitos da crise, produzindo cerca de 200 mil toneladas por ano, enquanto o consumo é de mais de 220 mil toneladas. Em 2025, os preços de produtos de chocolate devem subir 14% em relação a 2024. No entanto, o Brasil busca alternativas, como um projeto no oeste da Bahia para cultivar cacau em 10 mil hectares, e marcas que utilizam ingredientes nativos, como a Dengo e a Na’kau, que produzem chocolates com cacau da Bahia e da Amazônia.

Nesta segunda-feira (7) comemora-se o Dia Mundial do Chocolate, uma data que reúne festivais, apresenta novas receitas e leva esse doce a todos os cantos do planeta. Porém, nos últimos anos, essa celebração não tem sido vista com tanta prosperidade quanto antigamente, e o motivo disso é a crise do cacau, que se instalou há alguns anos e continua firme, deixando o preço do chocolate cada vez mais caro e longe dos armários de casa.

Crise Global do Cacau

Nas safras de 2023 e 2024, a produção de cacau sofreu um déficit de mais de 400 mil toneladas, de acordo com a Organização Internacional do Cacau (ICCO). Essa crise tem várias causas, principalmente locais, já que quatro países da África OcidentalCosta do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões — respondem por aproximadamente 65% das amêndoas de cacau produzidas no mundo.

Um dos principais fatores por trás da queda drástica na safra foi a disseminação de um vírus que ataca as plantações de cacau e provoca a chamada doença do broto inchado (CSSD na sigla em inglês), que pode reduzir a produtividade pela metade por volta de dois anos.

As mudanças climáticas em alguns locais da África também afetaram a produtividade, com o aumento das temperaturas prejudicando a qualidade das colheitas. Junto disso, os períodos de chuva e seca — efeitos do fenômeno El Niño — agravaram ainda mais as condições para o cultivo do cacau.

Esses fatores culminaram em diversas consequências no mercado global do chocolate. Em 2024, os estoques de cacau em Londres despencaram para 29.020 toneladas — uma grande queda diante das 48.810 toneladas registradas no mês anterior. Em Nova York, a situação também foi crítica: os estoques recuaram para 118.230 toneladas, o menor volume em 19 anos.

Cenário no Brasil

O Brasil é o sexto maior produtor de cacau do mundo, mas mesmo assim também sente os efeitos da crise global. Apesar do grande cultivo, o país não consegue atender à própria demanda interna: a produção gira em torno de 200 mil toneladas por ano, enquanto o consumo ultrapassa 220 mil toneladas.

Em 2025, a Páscoa enfrentou uma alta de 14% no preço de produtos de chocolate, como ovos e derivados, em relação a 2024, segundo a Associação Brasileira de Supermercados. O setor nacional ainda lida com infraestrutura deficiente, ausência de apoio técnico e dificuldades logísticas.

Alternativas Nacionais

O Brasil, no entanto, também vê a crise como um incentivo para se reinventar, com projetos que buscam dar a volta por cima diante do atual cenário do cacau. Um dos exemplos é uma iniciativa no oeste da Bahia, idealizada pelo produtor Moisés Schmidt, que prevê o cultivo do cacau em 10 mil hectares, tornando essa a maior fazenda de cacau do mundo. A meta é elevar a produção nacional a 1,6 milhão de toneladas na próxima década.

Algumas marcas brasileiras também investem em ingredientes nativos na produção. A Dengo, por exemplo, além de utilizar cacau da Bahia, lançou produtos com cacau amazônico, jaca e pimenta Baniwa. Já a Na’kau produz chocolate orgânico com cacau da Amazônia, combinado a cupuaçu, castanha-do-Pará e café Apuí.

Diante da crise que afeta não só o Brasil, mas o mundo todo, o melhor caminho é buscar alternativas mais sustentáveis que, a longo prazo, possam ajudar a reverter essa situação, além. Ao mesmo tempo, é preciso estar atento aos preços e às escolhas, pois os impactos já chegam às prateleiras.

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