- O dólar enfrenta uma desvalorização de mais de 10% em relação a uma cesta global de moedas desde o início do ano.
- Juan Ruiz, economista-chefe para a América Latina do BBVA Research, aponta que a incerteza na política dos Estados Unidos pode prolongar essa tendência.
- Investidores estão diversificando suas carteiras, favorecendo o euro e ações europeias.
- O real brasileiro se destaca como a moeda com melhor desempenho na região, com alta de 12,75%, e pode encerrar o ano em torno de R$ 5,70 por dólar.
- O desempenho de outras moedas emergentes, como o peso mexicano e o peso colombiano, dependerá de fatores regionais e fiscais.
O dólar enfrenta uma desvalorização significativa, perdendo mais de 10% de seu valor em relação a uma cesta global de moedas desde o início do ano. Juan Ruiz, economista-chefe para a América Latina do BBVA Research, alerta que essa tendência pode continuar devido à incerteza na política dos Estados Unidos. A diversificação dos investidores em direção ao euro e ações europeias já é uma realidade observada no segundo trimestre.
Os fatores que pressionam a moeda americana incluem a crescente incerteza sobre a política comercial e fiscal dos EUA. Ruiz destaca que uma postura mais agressiva do governo americano tende a enfraquecer o dólar, minando seu status de refúgio seguro em tempos de turbulência internacional. O economista também menciona propostas que poderiam permitir ao governo tributar investimentos estrangeiros, o que agrava a situação.
Impacto nas Moedas Emergentes
Apesar da fraqueza do dólar, o BBVA não vê uma ameaça imediata à sua posição como moeda dominante, já que não há um substituto claro. A escala global de ativos em dólar ainda supera a de outras moedas como o euro e o iene. Ruiz acredita que a substituição levaria anos, mas a atual desvalorização pode influenciar moedas emergentes, que podem se valorizar no segundo semestre.
O real brasileiro, por exemplo, é a moeda com melhor desempenho na região, apresentando uma alta de 12,75%. Isso se deve a um compromisso fiscal mais robusto e à resposta do Banco Central à inflação. O BBVA projeta que o real pode encerrar o ano em torno de R$ 5,70 por dólar, com potencial de valorização adicional.
Perspectivas Regionais
O desempenho do peso mexicano dependerá das relações comerciais com os EUA, enquanto o peso colombiano pode enfrentar volatilidade devido a preocupações fiscais. O sol peruano se mostra forte, impulsionado por boas contas externas e preços favoráveis do cobre. Ruiz considera que a eliminação dos controles cambiais na Argentina foi bem-sucedida, contribuindo para a estabilidade do mercado de câmbio.
A dinâmica atual do mercado sugere uma reorganização nas carteiras de investimento, com um movimento em direção a ativos não denominados em dólar. Essa mudança pode continuar, especialmente se a incerteza em torno da política econômica dos EUA persistir.
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