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Inflação de junho atinge 0,24% e ultrapassa meta pela primeira vez na série histórica

Inflação brasileira supera meta por seis meses consecutivos, levando o Banco Central a avaliar novas medidas para conter a alta.

Consumidor faz compras em supermercado em São Paulo (Foto: Allison Sales - 25.nov.24/Folhapress)
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  • A inflação no Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 0,24% em junho, abaixo dos 0,26% de maio.
  • O acumulado em 12 meses atingiu 5,35%, superando a meta de 4,5% por seis meses consecutivos.
  • O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, enviou uma carta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicando o estouro da meta.
  • Fatores como inércia inflacionária e expectativas desancoradas contribuíram para o desvio, totalizando 2,35 pontos percentuais em relação ao centro da meta.
  • O BC projeta que a inflação deve retornar à faixa de tolerância apenas no final do primeiro trimestre de 2026.

A inflação brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou 0,24% em junho, ligeiramente abaixo dos 0,26% de maio. Contudo, o acumulado em 12 meses chegou a 5,35%, superando a meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) por seis meses consecutivos. O Banco Central (BC), por meio de seu presidente, Gabriel Galípolo, enviou uma carta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicando o estouro da meta.

O novo modelo de meta contínua, implementado em janeiro de 2025, considera a meta descumprida quando a inflação se mantém fora do intervalo de tolerância por seis meses. O centro da meta é de 3%, com um teto de 4,5% e um piso de 1,5%. Desde o início do ano, a inflação já ultrapassava o limite, culminando em junho com o maior desvio desde a adoção do novo sistema.

Causas do Aumento

Na carta, Galípolo atribui o desvio a fatores como inércia inflacionária, que contribuiu com 0,69 ponto percentual, e expectativas desancoradas, que somaram 0,58 p.p. O hiato do produto também teve impacto, resultando em um desvio total de 2,35 p.p. em relação ao centro da meta.

Para conter a inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic para 15% ao ano. Apesar do aumento, o BC decidiu pausar o ciclo de alta para avaliar os efeitos das medidas já implementadas. Galípolo expressou preocupação com a necessidade de redigir uma nova carta em menos de seis meses, reafirmando que a meta de 3% deve ser rigorosamente cumprida.

Expectativas Futuras

O BC projeta que o IPCA deve retornar à faixa de tolerância apenas no final do primeiro trimestre de 2026, com uma expectativa de queda da inflação acumulada de 5,4% a 5,5% em 2025 para 4,2% no início de 2026. A instituição mantém vigilância sobre as pressões inflacionárias e está disposta a tomar novas medidas se necessário.

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