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Companhias americanas enfrentam riscos com aumento de tarifas sobre importações

Embraer enfrenta queda de ações após tarifas de 50% dos EUA, com riscos de aumento de custos e redução na demanda por aeronaves.

Foto: Reprodução
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  • A Embraer (EMBR3) sofreu uma queda de mais de 8% nas ações após o anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
  • A empresa, que destina cerca de 60% de suas vendas ao mercado americano, enfrenta riscos de aumento nos custos de produção e possível diminuição na demanda por aeronaves.
  • A XP Investimentos estima que cada aumento de 10 pontos percentuais nas tarifas pode gerar custos adicionais de até US$ 95 milhões para a Embraer.
  • Atualmente, a Embraer possui 336 pedidos firmes de jatos comerciais, sendo 181 deles de operadoras dos EUA.
  • A empresa busca diálogo com as autoridades para restabelecer a alíquota zero dos impostos de importação para o setor aeronáutico.

A Embraer (EMBR3) enfrenta um impacto significativo após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Com cerca de 60% de suas vendas direcionadas ao mercado americano, a fabricante de aeronaves viu suas ações despencarem mais de 8% logo após a notícia.

Os analistas apontam dois principais riscos: o aumento nos custos de produção e a possível diminuição da demanda por aeronaves. A Embraer, que produz uma parte considerável de seus jatos executivos na Flórida, utiliza componentes brasileiros em até 60% de sua linha Praetor e 40% dos Phenoms. A XP Investimentos estima que cada 10 pontos percentuais adicionais em tarifas podem resultar em custos de até US$ 95 milhões para a empresa.

A preocupação com a demanda é justificada, uma vez que as tarifas encareceriam as aeronaves, levando as companhias aéreas americanas a reconsiderarem novos contratos. Atualmente, a Embraer possui 336 pedidos firmes de jatos comerciais, sendo 181 deles de operadoras dos EUA. Apesar da dependência, a Embraer mantém uma posição única no mercado, já que suas aeronaves atendem a uma demanda específica que poucos concorrentes conseguem suprir.

Cenário de Concorrência

A cláusula de escopo limita as opções das companhias aéreas, restringindo voos regionais a aeronaves de até 39 toneladas. O modelo E-175 da Embraer é um dos poucos que se encaixa nessa categoria. Embora haja receios sobre a demanda, especialistas como Lucas Laghi, da XP, acreditam que as tarifas têm mais caráter de negociação e não devem ser mantidas.

Além disso, a Boeing e a Airbus enfrentam um backlog significativo de aeronaves não entregues, o que dificulta a absorção da demanda da Embraer. Gustavo Cruz, da RB Investimentos, ressalta que a implementação das tarifas poderia prejudicar a aviação regional e a economia americana, uma vez que comprometeria o funcionamento de diversas companhias aéreas nos EUA.

Após a turbulência inicial, as ações da Embraer fecharam o dia com uma queda de 3,7%. A empresa declarou que está em diálogo com as autoridades para restabelecer a alíquota zero dos impostos de importação para o setor aeronáutico, buscando mitigar os efeitos das novas tarifas.

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